Fibromialgia: Uma dor real
30/04/2012
Dr. Wilson Rondó Jr.
Medicina Preventiva Molecular
Estimativas alertam que cerca de 4% da população seja
afetada pela fibromialgia, sendo que em cada 10 casos acometidos 9 são em
mulheres.
Os principais sintomas
relatados por pacientes que sofrem com a fibromialgia são a sensação de
sensibilidade, rigidez muscular (muitas vezes insuportável) e dores em várias
partes do corpo. É comum também apresentarem cansaço, depressão e distúrbios
gastrointestinais.
Mas, infelizmente, mesmo que
os sintomas sejam aparentes, o diagnóstico da fibromialgia passa despercebido
pelo fato da doença não apresentar sinais físicos que possam caracterizá-la.
Em recente pesquisa,
realizada com 20 mulheres diagnosticadas com a doença e 10 mulheres saudáveis,
estudiosos detectaram anormalidades no cérebro daquelas com fibromialgia. O
processo de análise incluiu uma tomografia computadorizada que permitiu
observar que as mulheres que têm a doença apresentavam alterações no fluxo
sanguíneo cerebral. Essa alteração é diretamente proporcional à intensidade da
doença.
Outro dado importante
levantado pela pesquisa é o de que a alteração no fluxo sanguíneo foi observada
na região cerebral conhecida por mensurar a intensidade da dor.
Devida a intensidade da dor
provocada pela fibromialgia, muitas pessoas não respondem bem ao tratamento
feito com analgésicos convencionais. Além disso, a medicação aprovada para esse
fim tem causado efeitos colaterais como o ganho de peso, por exemplo. Por isso,
aconselho a todos os meus pacientes a utilizarem uma “estratégia”, onde com
certeza não existirá um único comprimido que cure a doença.
Tratando a fibromialgia de modo natural
Existem diversas abordagens
para o tratamento natural da fibromialgia. Aconselho que você converse com seu
médico sobre essas formas e se informe.
Um programa para esse fim
deve fazer atenção aos seguintes quesitos:
1 – Eliminando a alergia
alimentar:
Muitas pessoas com
fibromialgia apresentam alergia alimentar e têm redução dos seus sintomas pela
eliminação de um ou mais alimentos da sua dieta, como: milho, trigo,
laticínios, cítricos, soja e nozes.
Um estudo mostrou que cerca
de metade dos pacientes relataram significante melhora das dores cerca de duas
semanas após deixarem de ingerir esses alimentos e mais de 75% relataram
redução de outros sintomas como enxaqueca, cansaço e distensão abdominal.
2 – Identificando o seu
tipo metabólico
Passando a se alimentar, de
acordo com este modelo, você promoverá uma considerável melhora da
fibromialgia. Ajustando a sua dieta para a sua bioquímica individual você
estará gerando bem-estar e a sua nutrição correta.
3 – Tratando a ecologia
intestinal
Existe uma correlação direta
entre fibromialgia e crescimento de fungos (cândida) no trato digestivo. Os
pacientes com essa patologia melhoram sensivelmente quando seguem uma
alimentação anticândida e utilizam um protocolo direcionado para eliminar esse
crescimento de fungos, o que inclui probióticos e medicações antifúngicas.
Segundo o Dr. Carol Jessup,
que tratou mais de 1.000 pacientes com fibromialgia, com o uso dessa estratégia
probiótica e antifúngicos quando necessária, cerca de 80% dos pacientes com
fibromialgia apresentavam candidíase e a maioria deles se recuperou da
fibromialgia ao eliminar a candidíase.
4 – Hormônio tireoidiano
Um dos componentes da
fibromialgia é a disfunção da tireoide e segundo as pesquisas do Dr. John Lowe,
especialista em tireoide,
pode ser o hormônio tireoidiano o elemento que falta na abordagem terapêutica
da fibromialgia e que frequentemente é ignorado.
Cerca de 40% da população
apresenta função tireoidiana sub ótima, causando hipotireoidismo ou resistência
ao hormônio da tireoide.
Isso resulta em manifestações clínicas de fibromialgia, pois muitas vezes os
testes laboratoriais para alteração do hormônio tireoidiano não são claros para
o diagnóstico e não se correlacionam com outros métodos mais eficientes como a
taxa metabólica basal.
5 – Exercícios
Os estudos mostram que a
combinação de exercício aeróbico e alongamentos podem melhorar, e muito, os
sintomas de fibromialgia.
Pesquisadores de Harvard
avaliaram que depois da prática de exercícios por 20 semanas, as mulheres
apresentaram uma considerável melhora da resistência e da força muscular,
havendo também uma atenuação dos sintomas da fibromialgia, tais como a dor,
depressão, fadiga e rigidez muscular.
6 – Acupuntura
Estudos tem mostrado que
acupuntura age nos pontos de alívio de dor, cortando o fluxo sanguíneo nas
áreas do cérebro responsáveis por esse sentimento, em segundos. Como
consequência, a acupuntura fornece o alívio da fibromialgia por mais de 16
semanas.
7 – Vitamina D
Aumentando os níveis de
vitamina D você pode tratar, prevenir e até mesmo reverter uma quantidade
enorme de doenças, inclusive Fibromialgia, segundo o Dr. Michael F. Holick, que
publicou o livro sobre os benefícios da vitamina D.
The Vit. D Solution: A3 – Step Strategy to Cure our
Most Common Health Problem.
8 – Metais tóxicos
Talvez não tenhamos ainda
muita noção, mas estamos absorvendo diariamente, seja pela água, pelo ar e por
alimentos uma grande quantidade de metais tóxicos que podem induzir, gerar ou
simular qualquer doença. Portanto, devemos investigar sempre os níveis dos
seguintes metais em nossa alimentação:
- mercúrio
- chumbo
- alumínio
- cádmio
Muitas vezes, a sua
desintoxicação promove a redução ou reversão do quadro clinico da fibromialgia.
9 – Terapias nutricionais,
contendo vitaminas do complexo B, vit.
C, magnésio e cálcio trazem melhoras importantes para os pacientes com
fibromialgia.
10 – Lítio
Os sintomas de fibromialgia
têm melhora significativa quando se associa lítio ao tratamento. Vale destacar
que não há nenhum problema em associá-lo à medicação de tratamentos
convencionais, que incluem tranquilizantes, antidepressivos e medicações
anti-inflamatórias não esteroides (que só mascaram a dor).
Um estudo examinou três
mulheres com fibromialgia, que não respondiam ao tratamento convencional.
Quando os pesquisadores associaram lítio para o tratamento destas mulheres, as
três apresentaram melhoras importantes nos seus sintomas.
Caso decida usar lítio, é
importante que inclua o ômega 3 na sua dieta, pois esses ácidos graxos
essenciais previnem contra a toxicidade do lítio.
11 – Fitoterápicos
Os pacientes com fibromialgia
não têm a resposta normal ao estresse. A glândula adrenal é o órgão primário de
resposta ao estresse, sendo a córtex adrenal responsável por lidar com o
estresse crônico. O córtex adrenal está sob o controle da glândula pituitária
que, por sua vez, está sob o controle da parte do cérebro conhecida como
hipotálamo.
Esse trio de resposta ao
estresse é conhecido como eixo adrenal-pituitária-hipotalamino (HPA). Nos
pacientes com fibromialgia, o eixo HPA funciona de forma anormal: o hipotálamo
e a pituitária hiper-reagem, e a adrenal não responde como deveria. Isso causa
a chamada exaustão de glândula adrenal.
Para normalizar isso,
revigorando a glândula adrenal, uma das estratégias de tratamento visa a
utilização dos fitoterápicos adaptogênicos. Alguns exemplos são:
- ginseng coreano (panax ginseng),
- ashwaganda (withania sommfera) e
- eleuthero (eleuthero coccus senticosus)
que são tônicos e
adaptogênicos que também melhoram a resposta do eixo HPA.
Outros sintomas que podem ser
percebidos por conta da fibromialgia são a baixa concentração e a falta de
memória, circulação anormal cerebral e a dificuldade para dormir.
O uso de Valeriana, ou erva de São João, pode melhorar a qualidade do sono,
além de combater a depressão. Por sua vez, a Ginkgo Biloba melhora a circulação incluindo a circulação cerebral,
memória e concentração.
Mas, muita atenção! Eu
aconselho que você use esse tipo de suplementação fitoterápica somente se for
por supervisão de um profissional médico especializado e familiarizado com esse
tipo de terapia.
Não há cura mágica para a
fibromialgia, mas a minha experiência me permite afirmar que esses tratamentos
podem trazer benefícios em termos de suporte e alívio dos sintomas.
Esses tratamentos podem não
ser a cura, mas é certo de que esta deve começar por algum lugar!
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Dr. Wilson Rondó Jr.
Iniciou sua carreira como
cirurgião vascular, tendo trabalhado como residente na Clinique du Mail La Rochelle, na França.
Dedicou-se especialmente à Medicina Preventiva Molecular, especializando-se em Terapias Antioxidantes
pelo The Robert W. Bradford Institute, nos EUA e no Regenerations Zentrum Dr.
Kleanthous Embh (Heideberg) na Alemanha.
Graduado pela Faculdade de
Santo Amaro em 1983. É membro e diplomado pelo American College of Advancement
in Medicine.
Pertence ainda a diversas
outras instituições no Brasil e no Exterior.
Possui vários artigos
publicados em revistas médicas, além de livros com temas relacionados a
nutrição, medicina preventiva e esportiva.
Fonte: