sábado, 24 de novembro de 2012

ENCONTRE SUA PAZ INTERIOR PROFUNDA

Neurociência

ENCONTRE SUA PAZ INTERIOR PROFUNDA



ENCONTRE SUA PAZ INTERIOR PROFUNDA

Esse derrame de sabedoria me deu o valioso presente de saber que a paz interior profunda está a um pensamento (ou sentimento) de distância. Experimentar a paz não quer dizer que a vida é sempre perfeita. Significa que você é capaz de chegar ao estado mental de tranqüilidade em meio ao caos normal de uma vida frenética. Percebo que para muitos a distância entre a vida pensante e o coração piedoso às vezes parece ser quilométrica. Algumas pessoas percorrem essa distância com um comando. Outras estão tão comprometidas com a falta de esperança, a raiva e a infelicidade que o mero conceito de um coração pacífico parece estranho e fictício.
Com base em minha experiência de perder o lado esquerdo da mente, acredito inteiramente que o sentimento de paz interior está localizado no circuito neuronal do lado direito do cérebro. Esse circuito está sempre ativo e disponível para nos ligarmos a ele. O sentimento de paz é algo que acontece no momento presente. Não é algo que trazemos conosco do passado ou um projeto para o futuro. O primeiro passo para experimentar a paz interior é a disponibilidade para estar presente no aqui, no agora.
Quanto mais consciência temos de quando percorremos a trilha de paz interior profunda, mais fácil é escolhermos com consciência estabelecer ligação com esse circuito. Alguns têm dificuldade para reconhecer quando estão percorrendo esse circuito só porque têm a mente distraída por outros pensamentos. Isso faz sentido, uma vez que a nossa sociedade (ocidental) honra e recompensa as habilidade de “fazer” do lado esquerdo do cérebro muito mais do que as habilidades de “ser” do hemisfério direito. Assim, se você tem dificuldade para acessar a consciência do circuito do lado direito de sua mente, deve ser porque fez um trabalho estupendo aprendendo exatamente o que lhe ensinaram enquanto você crescia. Congratule suas células pelo sucesso, e, como diz meu bom amigo, Dr. Kat domingo: “Esclarecimento não é um processo de aprendizado; é um processo de desaprendizado.”
Como os dois hemisférios trabalham juntos para gerar nossa percepção de realidade em uma base momento a momento, exercitamos o lado direito da mente o tempo todo. Assim que você aprender a reconhecer os sentimentos sutis (e a fisiologia) que percorrem seu corpo quando está conectado ao circuito do momento presente, pode então se treinar para reativar esse circuito sob demanda. Vou dividir com você uma variedade de maneiras pelas quais eu me lembro de voltar à consciência e à personalidade do lado direito, pacífico e presente, de meu cérebro.
A primeira coisa que faço para experimentar paz interior é lembrar que sou parte de uma estrutura maior – um eterno fluxo de energia e moléculas do qual não posso ser separada. Saber que faço parte do fluxo cósmico me faz sentir segura e experimentar minha vida como o paraíso na Terra. Como posso me sentir vulnerável quando não é possível me separar do todo maior? O lado esquerdo de minha mente pensa em mim como um indivíduo frágil capaz de perder a vida. O lado direito percebe que a essência do meu ser tem vida eterna. Embora eu possa perder essas células e minha habilidade de perceber esse mundo tridimensional, minha energia vai simplesmente ser absorvida de volta para o tranqüilo mar de euforia. Saber disso me faz sentir grata pelo tempo que tenho aqui e me sinto entusiasmada e comprometida com o bem-estar das células que constituem minha vida.
Para voltar ao momento presente, devemos reduzir com consciência a velocidade da mente. Para isso, primeiro afirme que você não está com pressa. O lado esquerdo de sua mente pode estar apressando você, pensando, deliberando e analisando, mas o lado direito da mente é muito moderado.
Agora, além de ler este livro, o que você está fazendo? Está percorrendo alguma trilha cognitiva além de fazer sua leitura? Está olhando para o relógio ou sentado em um lugar movimentado? Tome consciência de seus pensamentos externos, agradeça a eles pelo serviço, e peça que se calem por algum tempo. Não estamos pedindo a eles que partam; é só para pressionar o botão pausa por alguns poucos minutos. Fique tranqüilo; eles não irão a lugar nenhum. Quando estiver pronto para se religar ao seu contador de histórias, ele se conectará novamente sem demora.
Quando estamos ligados a pensamentos cognitivos e percorrendo trilhas mentais, do ponto de vista técnico não estamos no momento presente. Podemos estar pensando sobre algo que já aconteceu ou sobre alguma coisa que ainda não aconteceu, e, apesar do nosso corpo estar aqui, agora, a mente está e outro lugar. Para voltar à experiência do momento presente, permita que sua consciência se desvie daquelas trilhas cognitivas que o distraem do que está acontecendo agora.
Pense em sua respiração, se quiser. Como está lendo este livro, é provável que esteja sentado numa posição relaxada. Inspire profundamente. Vá em frente, é bom. Leve o ar ao peito e veja sua barriga inchar. O que está acontecendo no interior de seu corpo? Ele está em posição confortável? Seu estômago está calmo ou agitado? Você está com fome? Tem a bexiga cheia? A boca está seca? Suas células parecem cansadas ou renovadas? Como está sua nuca? Faça uma pausa de todos os pensamentos que possam distraí-lo e observe sua vida por um momento. Onde você está sentado? Como é a iluminação? Como você se sente em relação ao lugar onde você está sentado? Inspire profundamente mais uma vez. E de novo. Relaxe dentro de seu corpo, suavize esse momento; você é um ser humano vivo e próspero! Deixe esse sentimento de celebração e gratidão inundar sua consciência.

Para me ajudar a encontrar o caminho de volta para o lado direito pacifico de minha mente, olho para como meu corpo organiza informação em sistemas e lida com ela de acordo com circuitos já estabelecidos. Descubro que prestar atenção à informação sensorial no momento em que ela penetra meu corpo é uma ferramenta muito útil. Porém, não foco somente informação sensorial, mas me conecto conscientemente à experiência fisiológica na base desse circuito sensorial. Pergunto a mim mesma repetidamente: Qual é a sensação de estar aqui fazendo isso?
Comer, beber e sentir alegria são coisas que acontecem no presente momento. A boca contém vários tipos de receptores sensoriais que nos permitem não só sentir diferentes sabores, mas perceber texturas únicas e temperaturas variadas. Tente observar com mais atenção como é diferente o sabor dos alimentos. Preste atenção à textura de comidas distintas e qual é a sensação de tê-las na boca. Que alimentos você classificaria como divertidos, e por quê? Adoro perseguir aquelas pequeninas bolas de gelatina no sagu. Espaguete também é uma excelente textura para brincar. Porém, o que considero mais divertido em matéria de comida é extrair o interior de ervilhas congeladas e esmagar purê de batatas por entre os dentes. Sei que sua mãe deve ter expurgado esses comportamentos do seu repertório quando você ainda era pequeno, mas na privacidade da sua casa não há nada demais em se divertir. É realmente difícil ser tomada por pensamentos estressantes quando você está se divertindo com comida!
Além dos atributos físicos do consumo de alimentos, é de vital importância considerarmos o impacto fisiológico que o alimento tem sobre o corpo e mente. Saindo do foco do valor nutricional, tente prestar atenção a como determinados alimentos fazem seu corpo se sentir. Açúcar e cafeína me ,  agitada minutos depois do consumo. É uma sensação que não aprecio, por isso tento evita-los. Comer coisas que contém triptofano (leite, banana e peru) eleva com rapidez os níveis de serotonina em meu cérebro, tornando-me mais afável. Escolho deliberadamente esses alimentos quando quero me concentrar e me sentir calma.
Em geral, carboidratos transformam-se imediatamente em açúcar e fazem meu corpo se sentir letárgico, e minha mente, espástica. Também não gosto de como os carboidratos provocam minha resposta açúcar/insulina e depois me deixam com forte desejo de consumir mais desses alimentos. Gosto de como as proteínas me dão energia sem estimular altos e baixos emocionais. Você pode ter respostas diferentes a esses alimentos, e isso é comum. Uma dieta balanceada é importante, mas prestar atenção a como você queima calorias e como essas comidas fazem você se sentir por dentro deve ser uma prioridade.
Uma das maneiras mais fáceis de mudar a disposição de quase todo mundo (para melhor ou pior) é estimular o olfato. Se você é muito sensível, a vida no mundo real pode ser insuportável. Tirar proveito do nariz para voltar ao momento presente é fácil. Acenda uma vela perfumada e deixe a fragrância de baunilha, rosa ou amêndoa elevá-lo além de sua percepção de estresse. Quando aromas aleatórios passam por você, conecte-se a essa trilha cognitiva e dedique um tempo de qualidade ao esforço de identificar o cheiro. Pontue-o em uma escala de um a dez com os extremos representando prazer ou repugnância. Lembre-se de sentir a fisiologia que está na base dos diferentes aromas. Deixe-os movê-lo para o aqui e agora.
Se você tem problema com o olfato, acredito que, a menos que os circuitos tenham sido interrompidos de modo permanente, é possível elevar sua sensibilidade. Quando você presta atenção deliberadamente aos cheiros que o cercam, está enviando ao cérebro uma mensagem dizendo que valoriza aquela conexão. Se quiser melhorar o olfato, passe mais tempo sentindo cheiros diferentes e conversando com suas células! Deixe-as saber que você deseja que elas aprimorem essa habilidade. Se estiver disposto a mudar seu comportamento de maneira a passar mais tempo pensando conscientemente sobre os cheiros que está sentindo, e estiver disposto a focar a mente no ato de cheirar, as conexões neuronais serão reforçadas e se tornarão em mais fortes.
Com relação à visão, há basicamente duas maneiras de usar os olhos. Agora, por exemplo, olhe para a paisagem à sua frente. O que você vê? O lado direito de sua mente registra o panorama mais amplo. Enxerga a imagem como um todo, onde tudo é relativo. Observa toda a amplitude sem se focar em nenhum detalhe. O lado esquerdo foca imediatamente o contorno dos objetos individuais e delineia as entidades específicas que compõem o panorama.
Quando me coloco sobre o topo de uma montanha e deixo meus olhos relaxarem, o hemisfério direito absorve a magnitude da paisagem em aberto. Do ponto de vista fisiológico, sinto a majestade daquela visão geral no fundo do meu ser, e sinto-me humilde diante da beleza esplêndida do planeta. Posso recordar esse momento reconstruindo a visão ou recordando o sentimento que ela provoca. O lado esquerdo da mente, contudo, é completamente diferente. Ele foca a atenção nos tipos específicos de árvores, nas cores do céu, e analisa os sons de diferentes aves. Discrimina os tipos de nuvens, delineia os desenhos das árvores e registra a temperatura do ar.
Agora, por exemplo, faça uma pausa na leitura. Vá em frente. Relaxe a mente e expanda a percepção. O que você ouve? Preste atenção e amplie a audição. Estou aqui sentada perto de uma montanha, ao lado de um conservatório, e meus ouvidos captam o som de um riacho que passa do lado de fora da janela. Quando foco a mente em sons distantes, ouço fragmentos de música clássica produzida por crianças que praticam com seus instrumentos. Focando a audição mais perto de mim, registro o ronco do aquecedor, bem aqui na sala, e ele me aquece.

Ouvir música que você aprecia, na ausência de análise cognitiva ou julgamento, é outra excelente maneira de voltar ao aqui e agora. Deixe o som movê-lo não apenas emocional, mas fisicamente. Deixe o corpo balançar e dançar ao ritmo da canção. Perca as inibições e deixe o corpo ser levado pelo fluxo da música.
É claro, a ausência de som pode ser igualmente bela. Adoro colocar os ouvidos sob a água na banheira e criar um espaço de vácuo sonoro. Também foco os ruidoso do meu corpo, quando ocorrem, e elogio minhas células por seu esforço contínuo. Descobri que minha mente se distrai facilmente quando há muito estímulo auditivo, por isso sempre trabalho, ou viajo, usando protetores auriculares. Acredito que impedir a estimulação que sobrecarrega meu cérebro é minha responsabilidade, e protetores auriculares têm sido verdadeiros defensores da minha sanidade em muitas ocasiões.
Nosso maior e mais diversificado órgão sensorial é a pele. Como o cérebro roda ao mesmo tempo vários circuitos que pensam, experimentam emoções ou envolvem combinações específicas de reatividade fisiológica, a pele é coberta por pequeninos receptores capazes de detectar várias formas específicas de estímulo. Como ocorre com os outros sentidos, somos todos únicos com relação á sensibilidade ao recebermos um toque suave, à pressão, ao calor, ao frio, à vibração e à dor. Alguns se adaptam mais depressa que outros. Embora muitos não passem muito tempo pensando sobre as roupas depois de vestí-las, outros permanecem tão sensíveis que têm a mente obcecada pelo pelo ou a textura das peças. Agradeço sempre a minhas células por sua capacidade de adaptação ao estímulo. Imagine como teríamos a mente sempre preocupada se não pudéssemos nos adaptar.
Vamos fazer mais uma experiência. Interrompa novamente a leitura e, desta vez, feche os olhos e pense sobre a informação que você está detectando pela pele. Qual é a temperatura do ar? Qual é a textura de suas roupas? Suave, áspera, leve, pesada? Alguma coisa o pressiona? Um travesseiro, ou animal de estimação encostado em seu corpo? Pense em sua pele por um momento. Você consegue sentir o relógio, ou os óculos sobre o nariz? E os cabelos caindo sobre os ombros?
Da perspectiva terapêutica, talvez não haja nada mais íntimo que o toque, seja ele a ligação física com outro ser humano, com um amigo peludo ou mesmo com as plantas de casa. Os benefícios físicos de nutrir e ser nutrido por esse contato são incomensuráveis. Tomar um banho e sentir a água correr por seu corpo é uma excelente maneira de trazê-lo de volta ao momento presente. Sentir a pressão da água sobre a pele, seja durante um banho de banheira ou na piscina, é uma excelente forma de estímulo por pressão e temperatura. Permita a essas formas de atividade o poder de trazê-lo de volta ao aqui e agora. Treine-se para prestar mais atenção a quando seus diferentes circuitos são estimulados. Enquanto isso, encoraje-os a funcionar.
A massagem corporal também é ótima por várias razões. Ela não só alivia a tensão nos músculos, como também aumenta a movimentação de fluidos no ambiente celular. O mundo interno do seu corpo é o meio pelo qual as células obtém nutrição e eliminam seus dejetos. Apóio com entusiasmo qualquer tipo de estímulo que eleve o padrão de vida que elas têm.
Uma das minhas alternativas favoritas de usar o toque para voltar ao aqui e agora é pelos pingos de chuva. Caminhar na chuva é uma experiência multidimensional que me toca profundamente. Gotas de água atingindo o meu rosto levam-me de maneira instantânea para a beleza e a inocência do lado direito de minha mente enquanto me sinto envolvida por um profundo sentimento de purificação. Sentir o calor do sol em meu rosto conecta-me diretamente com uma parte de mim que se sente unificada com tudo que há. Adoro ficar na beira do oceano com  os braços abertos, voando no vento. Recordando os sons, cheiros, sabores, e como me senti por dentro, posso me levar de volta ao nirvana em um instante.
Quanto mais atenção prestamos aos detalhes de como as coisas parecem, soam, cheiram e são sentidas pela pele e fisiologicamente no interior do corpo, mais fácil é para o cérebro recriar qualquer momento. Substituir padrões indesejados de pensamento por imagens vividas pode nos ajudar a desviar a consciência para a paz interior profunda. Embora seja ótimo utilizar os sentidos para recriar uma experiência, acredito que o verdadeiro poder na recriação experimental esteja na habilidade de lembrar como sentimos a fisiologia por trás disso tudo.

Não posso encerrar esta seção sobre o uso da estimulação sensorial para conduzir-nos de volta ao momento presente sem mencionar os tópicos da energia dinâmica e da intuição. Aqueles que têm hemisférios direitos muito sensíveis certamente entenderão o que estou dizendo. Ao mesmo tempo, entendo que, para muitos, se o lado esquerdo não consegue cheirar, saborear, ouvir, ver ou tocar, é inevitável reagir com ceticismo à existência de determinado objeto. O lado direito do cérebro é capaz de detectar energia além das limitações do lado esquerdo devido à maneira como ele é desenhado. Espero que seu nível de desconforto com relação a coisas como energia dinâmica e intuição tenha diminuído na medida em que você aumentou sua compreensão sobre as diferenças fundamentais na maneira pela qual os dois hemisférios colaboram para criar uma percepção única de realidade.
Lembrar que somos seres de energia projetados para perceber e traduzir energia em código neural pode ajudar o leitor a ter mais consciência da própria dinâmica energética e intuição. Você consegue sentir o clima ao entrar em um ambiente? Às vezes estranha o fato de se sentir contente num minuto, e cheio de medo no instante seguinte? O hemisfério direito é criado para perceber e decifrar a sutil dinâmica de energia que percebemos de maneira intuitiva.
Desde o derrame, direciono minha vida quase inteiramente para essa atenção focada, a fim de descobrir como pessoas, lugares e coisas me fazem sentir em nível energético. Porém, para ouvir a sabedoria intuitiva, do lado direito de meu cérebro, tenho de reduzir conscientemente a velocidade do lado esquerdo da mente, evitando assim me deixar levar pela correnteza de meu falastrão contador de histórias. Intuitivamente, não questiono porque me sinto atraída em nível subconsciente por algumas pessoas e situações, mas rejeito outras. Apenas ouço meu corpo e confio em meus instintos.
Ao mesmo tempo, o hemisfério direito honra o fenômeno de causa e efeito. Em um mundo de energia em que tudo influencia tudo, parece ingênuo que eu desconsidere as percepções e o conhecimento do lado direito de minha mente. Se estou atirando com arco e flecha, por exemplo, não foco apenas o centro do alvo, mas traço o caminho entre a ponta da flecha e o centro do alvo. Visualizo a perfeita quantidade de força exercida por meus músculos quando eles impulsionam a flecha, e foco a mente na fluidez do processo, não só na finalidade do produto final. Descubro que, quando minha percepção se expande e imagino a experiência, minha precisão aumenta. Se você está envolvido com alguma prática esportiva, tem o poder de escolher como quer perceber-se em relação ao alvo ou objetivo. Você pode se ver como uma entidade separada – posiciona-se como ponto A e seu alvo é o ponto Z – ou pode se ver unificado ao alvo e no fluxo com todos os átomos e moléculas no espaço entre um extremo e outro.
O hemisfério direito percebe a imagem maior e reconhece que tudo que nos cerca, envolve, cobre e preenche é feito de partículas de energia, que são tecidas numa trama universal. Como tudo é conectado, há um relacionamento íntimo entre o espaço atômico em torno e dentro de mim, e o espaço atômico em torno e dentro de você – não importa onde estamos. Em nível energético, se penso em você ou oro por você, envio boas vibrações em sua direção e estou, de modo consciente, enviando-lhe minha energia com intenção curativa. Se medito com você ou imponho minhas mãos sobre sua ferida, estou direcionando deliberadamente a energia do meu ser para ajudar em seu processo de cura. Como o Reiki, o Feng Shui, a acupuntura ou a oração (só para mencionar alguns exemplos) funcionam ainda e é um mistério para os médicos. Isso acontece basicamente porque o hemisfério esquerdo e a ciência ainda não captaram o que entendemos ser verdade sobre as funções do hemisfério direito. Porém, acredito que o lado direito da mente, é perfeitamente claro sobre como percebe com a intuição e interpreta a dinâmica da energia.
Deixando de lado o assunto dos sistemas sensoriais, também podemos usar as habilidades do sistema motor para alterar a perspectiva para o aqui e agora. Relaxar propositalmente os músculos que você costuma manter tensos pode ajudá-lo a liberar energia represada e promover bem-estar. Estou sempre verificando a tensão em minha testa e, de maneira inevitável, se não consigo dormir à noite, relaxo a mandíbula e adormeço em seguida. Pensar no que ocorre com seus músculos é uma excelente maneira de trazer a mente para o presente. Comprimi-los e relaxá-los de forma sistemática pode ajudá-lo a voltar ao aqui e agora.
Muitas pessoas utilizam movimento e exercício para controlar a mente. Ioga, técnica Feldenkrais e tai chi são ferramentas fabulosas para desenvolvimento pessoal, relaxamento e crescimento. Esportes que não envolvem competição também são excelentes para levá-lo de volta ao corpo e afastá-lo do hemisfério esquerdo. Caminhar na natureza, cantar, criar e tocar música ou mergulhar nas artes pode alterar facilmente sua perspectiva, trazendo-o de volta ao momento presente.
Outro caminho para mudar o foco e afastá-lo das trilhas envolventes do lado esquerdo da mente cognitiva é o uso proposital da voz para interromper esses padrões de pensamento que consideramos preocupantes ou que nos distraem. Utilizar padrões repetitivos de som como um mantra (que literalmente significa “lugar para descansar a mente”) é muito útil. Respirando profundamente e repetindo a frase Neste momento eu recupero minha alegria, ou Neste momento sou perfeito, inteiro e belo, ou Sou um inocente e pacífico filho do Universo, conduzo minha consciência de volta ao hemisfério direito.
Ouvir a meditação verbal que me guia para um padrão de pensamento com emoção e fisiologia é outra excelente opção para desviar minha mente das trilhas indesejadas. A prece, pela qual usamos a mente para substituir intencionalmente padrões de pensamento indesejados por outros escolhidos, é outra forma de guiarmos a mente de modo consciente para longe da incessante repetição verbal e para um lugar mais pacífico.
Adoro usar a voz em sintonia com o som de recipientes variados. Existem alguns bem grandes de delicado cristal de quartzo. Quando tocados esses recipientes ressoam de maneira tão poderosa que posso sentir a vibração até nos meus ossos. Minhas preocupações não têm a menor chance de ocupar a mente quando esses sons são produzidos.
Também utilizo o Angel Cards1 (Baralho dos Anjos) várias vezes por dia para me ajudar a permanecer focada no que acredito ser importante na vida. O trabalho original Angel Cards vem com um conjuntos de cartas de tamanhos variados com uma única palavra escrita em cada uma delas. Todas as manhãs, quando me levanto, convido um anjo a entrar em minha vida e tiro uma carta. Então, foco minha atenção naquele anjo específico durante todo o dia. Se me sinto estressada ou tenho de fazer um telefonema importante, tiro outra carta do baralho e invoco outro anjo para me ajudar a mudar a minha disposição mental. Estou sempre tentando me manter aberta ao que o Universo vai me trazer. Uso o Angel Cards para me conduzir a um estado de generosidade de espírito, uma vez que realmente aprecio o que atraio quando estou aberta. Alguns anjos são: Entusiasmo, Abundândia, Educação, Clareza, Integridade, Diversão, Liberdade, Responsabilide, Harmonia, Graça e Nascimento. Extrair as cartas dos anjos é uma das ferramentas mais simples e eficientes que encontrei para me ajudar a desviar a mente do julgamento do hemisfério esquerdo.
Se tivesse de escolher uma palavra de efeito (ação) para o lado direito de meu cérebro, escolheria compaixão. Sugiro que você se pergunte: o que significa ter compaixão? Em que circunstâncias se vê inclinado a sentir isso e como percebe a compaixão no interior de seu corpo?
Em geral, muitos têm compaixão por aqueles que percebem como seus semelhantes. Quanto menos estamos ligados à inclinação do ego para a superioridade, mais generoso de espírito podemos ser com os outros. Quando nos comportamos com compaixão, consideramos as circunstâncias dos outros com amor, em vez de utilizarmos o julgamento. Vemos um sem-teto ou um psicótico e nos aproximamos com o coração aberto, em vez de sentirmos medo, repulsa ou agressividade. Pense na última vez em que você se aproximou de alguém ou de alguma coisa com compaixão genuína. Que sensação você experimentou em seu corpo? Ter compaixão é se mover para o hemisfério direito do cérebro, para o aqui e agora, com o coração aberto e a disponibilidade para apoiar.
Se tivesse que escolher uma palavra para descrever o que experimento na essência do lado direito de minha mente, escolheria alegria. O hemisfério direito fica aufórico por estar vivo! Sinto-me fascinada quando considero que sou simultaneamente capaz de estar unificada com o Universo e manter uma identidade individual com a qual me movimento pelo mundo e manifesto progresso.
Se você perdeu a capacidade de sentir alegria, esteja certo de que o circuito ainda está aí. Ele está apenas inibido por outro circuito mais ansioso e/ou temeroso. Como eu gostaria que você pudesse se desfazer de sua bagagem emocional, como eu perdi a minha, e retornar a seu estado natural de alegria! O segredo para conectar-se a um desses estados pacíficos é a disposição para interromper as trilhas de pensamento cognitivo, a preocupação e quaisquer idéias que o distraiam da experiência sensorial e cinestésica de estar no aqui e agora. Porém, mais importante é que nosso desejo por paz seja mais forte do que nossa ligação com a infelicidade, com o ego e com a necessidade de estar certo. Adoro aquele velho ditado: “Você quer ter razão, ou quer ser feliz?”
Pessoalmente, gosto muito da sensação da felicidade em meu corpo e, portanto, escolho me conectar com regularidade a esse circuito. Sempre me perguntei: Se isso é uma escolha, então por que alguém escolheria outra coisa que não a felicidade? Posso apenas especular, mas suponho que muitos apenas não percebam que temos a possibilidade de escolher e, portanto, não exercitam essa capacidade de escolha. Antes do derrame, eu pensava ser um produto do meu cérebro e não tinha idéia de que podia opinar sobre como respondia às emoções que surgiam em mim. Em nível intelectual, percebi que podia monitorar e mudar meus pensamentos cognitivos, mas nunca imaginei que tivesse alguma influência sobre como percebia minhas emoções. Ninguém jamais me havia dito que são necessários apenas 90 segundos para a bioquímica capturar-me e, depois, me libertar. Que enorme diferença essa consciência tem feito em como conduzo minha vida.
Outra razão pela qual podemos não escolher a felicidade é que, ao sentir emoções intensas e negativas, como raiva, inveja ou frustração, estamos rodando ativamente programas complexos no cérebro que sentimos como familiares e que nos fazem sentir fortes e poderosos. Conheço pessoas que escolhem exercitar seus circuitos de raiva com regularidade apenas porque isso as ajuda a lembrar como é se sentirem elas mesmas.
Tenho a mesma facilidade para acionar o circuito da felicidade. De fato, da perspectiva biológica, a felicidade é o estado natural de ser do lado direito de minha mente. Como tal, esse circuito está sempre ativo e disponível para meu uso. Meu circuito da raiva, por outro lado, nem sempre está ativo, mas pode ser disparado quando sinto algum tipo de ameaça. Assim que a resposta fisiológica passa pela corrente sanguínea, posso retornar minha alegria.

Em última análise, tudo que experimentamos é um produto de nossas células e dos respectivos circuitos. Quando você se coloca em sintonia com como sente cada um dos diferentes circuitos em seu corpo, pode escolher como quer ser no mundo. Pessoalmente, tenho uma espécie de alergia às sensações de medo e/ou ansiedade. Quando essas emoções me inundam, sinto tamanho desconforto que gostaria de poder abandonar meu corpo. Por no gostar da sensação fisiológica gerada por essas emoções, tenho a tendência de evitar conectar-me a esses circuitos com regularidade.
Minha definição favorita de medo é “expectativas falsas que parecem reais”, e, quando me permito lembrar que todos os meus pensamentos são apenas fugaz fisiologia, sou menos afetada quando meu contador de histórias fica desordenado e meu circuito é desencadeado. Ao mesmo tempo, quando lembro que estou unificada com o Universo, o conceito de medo perde seu poder. Para me proteger de uma resposta de raiva ou medo, assumo a responsabilidade por quais circuitos exercito e estimulo. Numa tentativa de reduzir o poder de minha resposta de medo/raiva, escolho intencionalmente a não assistir a filmes de terror ou me envolver com pessoas cujos circuitos de raiva sejam desencadeados com facilidade. Faço escolhas que causam impacto direto nos meus circuitos. Como gosto de ser alegre, prefiro me relacionar com pessoas que valorizem minha alegria.

Como mencionei antes, a dor física é um fenômeno fisiológico especificamente projetado para alertar o cérebro para a ocorrência de dano a algum tecido do corpo. É importante perceber que somos capazes de sentir dor física sem nos conectarmos ao circuito emocional do sofrimento. Lembro como as crianças pequenas são corajosas quando estão gravemente enfermas. Os pais podem percorrer a trilha emocional do medo e do sofrimento, enquanto a criança parece se adaptar à doença sem o mesmo drama emocional negativo. Experimentar a dor pode não ser uma escolha, mas sofrer é uma decisão cognitiva. Quando uma criança adoece, é sempre mais difícil para ela lidar com o sofrimento dos pais do que suportar a enfermidade. ... 

[...]



Jill Bolte Taylor
“A cientista que curou seu próprio cérebro” – o relato da neurocientista que viu a morte de perto, reprogramou sua mente e ensina o que você também pode fazer.
São Paulo – Ediouro – 2008
Págs. 169-187





* * * * * 
* * * 



domingo, 18 de novembro de 2012

ASSUMA O COMANDO - Jill Bolte Taylor (neurociências)


ASSUMA O COMANDO


(Neurociências) 

Jill, Bolte Taylor, 

Defino responsabilidade (resposta-habilidade) como a capacidade de escolher como vamos responder ao estímulo que chega pelo sistema sensorial em dado momento no tempo. Embora existam certos programas do sistema límbico (emocional) que podem ser acionados de maneira automática, são necessários menos que 90 segundos para um desses programas ser acionado, percorrer nosso corpo, e depois ser completamente banido da corrente sanguínea. Minha resposta de raiva, por exemplo, é uma resposta programada que pode ser disparada automaticamente. Uma vez desencadeada, a química liberada por meu cérebro percorre meu corpo e tenho a experiência fisiológica. Noventa segundos depois do disparo inicial, o componente químico da raiva dissipou-se completamente do meu sangue e minha resposta automática está encerrada. Se, porém, me mantenho zangada depois desses 90 segundos, é porque escolhi [decidi] manter o circuito rodando. Momento a momento, faço a escolha de me ligar ao neurocircuito ou recuar para o momento presente, permitindo que aquela reação desapareça de minha fisiologia.
A novidade realmente excitante sobre reconhecer meus personagens do lado direito e do lado esquerdo é que tenho sempre uma forma alternativa de olhar para qualquer situação. Meu corpo está cheio ou meio vazio? Se você me aborda com raiva e frustração, faço a escolha de refletir sua raiva e me envolver na discussão (cérebro esquerdo) ou ser empática e responder com um coração compreensivo (cérebro direito). O que muitos não percebem é que estamos fazendo escolhas inconscientes sobre como respondemos o tempo todo. É tão fácil se deixar prender pelos fios da nossa reatividade pré-programada (sistema límbico) que vivemos navegando no piloto automático. Aprendi que, quanto mais atenção minhas células corticais superiores dão ao que está acontecendo no interior do meu sistema límbico, mais eu posso decidir sobre o que estou pensando e sentindo. Prestando atenção às escolhas que meu circuito automático está fazendo, apodero-me da minha força e faço escolhas de maneira consciente. No final assumo a responsabilidade pelo que atraio para minha vida.
Hoje em dia, passo muito tempo pensando sobre pensar, simplesmente porque considero meu cérebro fascinante. Como disse Sócrates: “Uma vida sem reflexão não merece ser vivida”. Não há nada mais fortalecedor do que perceber que não preciso pensar em coisas que me causam dor. É claro que não há nada de errado em pensar sobre essas coisas, desde que eu tenha consciência de que estou escolhendo me envolver nesse circuito emocional. Ao mesmo tempo, é libertador saber que tenho o poder consciente de parar de ter esses pensamentos quando estou saciada deles. É libertador saber que tenho a habilidade de escolher uma mente pacifica e amorosa (a do lado direito), sejam quais forem minhas circunstâncias físicas ou mentais, decidindo dar um passo à direita e trazer meus pensamentos de volta ao momento presente.
É mais comum que eu escolha observar o ambiente com olhos que não julgam, os do lado direito da mente, que me permitir conservar minha alegria interior e permanecer distante daquele circuito emocional carregado. Só eu decido se alguma coisa vai ter uma influência positiva ou negativa sobre minha psique. Recentemente estava dirigindo pela estrada e cantando em voz alta, acompanhando meu CD favorito de Ginger Curry, entoando “ALEGRIIIIIA em meu coração”. Para meu espanto fui parada por excesso de velocidade (aparentemente, havia excesso de entusiasmo ao volante). Desde que fui multada, tive de repetir pelo menos cem vezes a decisão de não ficar triste com isso. Aquela voz da negatividade estava sempre tentando se erguer e me deprimir. Eu queria rever o drama muitas vezes, repeti-lo sem parar em minha cabeça, de todos os ângulos, mas, independentemente de minha contemplação, a situação teria sempre o mesmo desfecho. Com honestidade, considero essa obsessão do lado esquerdo de minha mente contadora de histórias uma perda de tempo e um dreno emocional. Graças a meu derrame, aprendi que tenho o controle e paro de pensar sobre os eventos passados, realimentando-me conscientemente com o presente.
Apesar de tudo isso, há algumas ocasiões em que escolho me colocar no mundo como um ego central sólido, único, separado de você. Às vezes é só uma grande satisfação contrapor minhas coisas do hemisfério esquerdo às suas coisas do hemisfério esquerdo, seja em conversa ou debate acalorado. Normalmente, não gosto de sentir a agressividade no interior do meu corpo, por isso evito o confronto hostil e escolho a compaixão.
Para mim, é realmente fácil ser bondosa com os outros quando me lembro de que nenhum de nós veio ao mundo com um manual sobre como fazer tudo corretamente. Somos, em última análise, um produto de nossa biologia e do meio ambiente. Em decorrência, escolho ter compaixão com os outros quando considero quanta bagagem emocional dolorosa somos biogicamente programados para carregar por aí. Reconheço que erros serão cometidos, mas isso não significa que preciso me tornar vítima ou considerar ações e erros de forma pessoal. Suas coisas são suas coisas, e minhas coisas são minhas coisas. Sentir profunda paz interior e partilhar bondade é sempre uma escolha para cada um de nós. Perdoar os outros e eu mesma é sempre uma escolha. Ver esse momento como um momento perfeito é sempre uma escolha.


Jill Bolte Taylor
“A cientista que curou seu próprio cérebro” – o relato da neurocientista que viu a morte de perto, reprogramou sua mente e ensina o que você também pode fazer.
São Paulo – Ediouro - 2008
Págs. 153-156



quinta-feira, 28 de junho de 2012

Saiba que alimentos eliminam e retêm líquidos no organismo

SAÚDE - PREVENÇÃO 

NOTA: SAL REFINADO NÃO É SAL, É SOMENTE 'CLORETO DE SÓDIO'! INFORME-SE!

Saiba que alimentos eliminam e retêm líquidos no organismo





Saiba que alimentos eliminam e retêm líquidos no organismo

Por Jocelem Mastrodi Salgado,
Profª. Titular em Nutrição LAN/ESALQ/USP/Campus, Piracicaba

"... alimentos funcionais não são medicamentos, mas muitas vezes podem prevenir problemas na saúde de forma saudável e econômica"

Você sabe o que é e para que servem os alimentos diuréticos? Conhece cada um deles e suas funções?
Ao redor do mundo existe um número significativo de pessoas que sofrem com a retenção de líquidos no corpo e muitas delas vivem recorrendo a médicos e remédios sem conseguir um efeito satisfatório, pois muitas vezes a solução desse problema está na alimentação.

Como sempre enfatizo, alimentos funcionais não são medicamentos, mas muitas vezes podem prevenir problemas na saúde de forma saudável e econômica. É o caso quando empregamos alguns alimentos que têm como finalidade ajudar a eliminar o excesso de líquidos através da urina, evitando edemas ou inchaços.

Vamos explicar sobre a retenção de líquidos que na maioria dos casos favorece inchaço ou edemas, aumento no peso e modificação na aparência, deixando muitas vezes a sensação de que a pessoa vai explodir.

Esse processo pode ocorrer em muitos casos pelo excesso de sal usado no preparo dos alimentos ou no consumo exagerado de alimentos prontos ou processado com alto teor de sódio; pelo mau funcionamento dos rins na filtragem dos líquidos que por eles passam, ou por hipertensão e ainda por excesso de ingestão de álcool. 

Para as mulheres, principalmente, a retenção de líquidos pode causar cansaço nas pernas e nos pés, bem como inchaço, aumento de celulite e a sensação de ganho de peso.

Para auxiliar nos incômodos causados pela retenção hídrica, vários alimentos podem ser inseridos na sua dieta diária para ajudar na eliminação desses líquidos ou para ajudar a reduzir a retenção.

Morangos, abóbora, beterraba, escarola e cenoura são alimentos considerados diuréticos, pois apresentam alto teor de água em sua composição e por isso ajudam na eliminação dos excessos de líquidos presentes no nosso organismo.


Alimentos diuréticos

Com forte ação diurética são recomendados os seguintes alimentos: melão, melancia, maracujá, abacaxi, alface, agrião, repolho, tomate, salsinha, alcachofra, broto de feijão, pepino, erva-doce, berinjela entre outros.

Além da ação diurética esses alimentos possuem ótima fonte de fibras que auxiliam no bom funcionamento do intestino e dessa forma outras toxinas são também eliminadas do nosso organismo.

Porém, vale lembrar que tudo em excesso pode causar outros problemas e o excesso de fibras adicionado a líquidos pode causar efeito laxativo. Portanto, procure sempre fazer uma dieta balanceada e equilibrada.

Para estimular os rins a funcionar bem, beba muita água. Porém, lembre-se: a qualidade e a fonte dela são detalhes importantes, procure beber sempre água filtrada e de fontes seguras.


Alimentos que favorecem a retenção de líquidos 

Ao consumir produtos industrializados fique atento ao rótulo, pois se você observar que o alimento tem mais de 400mg de sódio por 100g/ml do produto, saiba que o teor de sódio é alto. 

Adoçantes como sacarina sódica e ciclamato de sódio também devem ser consumidos com muita moderação.

Outros alimentos que favorecem a retenção de líquidos e devem ser consumidos com moderação ou evitados caso a pessoa já sofra do incômodo são:

- caldos de carnes em tabletes que geralmente possuem alto teor de sódio;

- sal adicionado sobre os alimentos;

- bebidas alcoólicas em excesso;

- alimentos salgados ou preparados com muito sal;

- shoyo, molho de soja, rico em sódio, prefira consumir sempre o ligth e mesmo assim use com moderação.

Para estimular a liberação dos líquidos através da urina coloque diariamente no seu cardápio chás e café. Pode abusar da ingestão de chás como o chá verde, chá de ervas conhecidas (hortelã, camomila, erva-doce, cidreira, poejo, etc.) e sucos de frutas, pois possuem um efeito diurético e aumentam a produção de urina pelos rins.

O sal tanto o marinho como o sal de mesa têm o mesmo valor básico nutritivo, apesar do fato de que o sal do mar é muitas vezes comercializado como uma alternativa mais natural e saudável. As diferenças reais entre sal marinho e sal de mesa estão em seu sabor, textura e processamento, e não na sua composição química. 

Basicamente, o sal do mar e de mesa contém a mesma quantidade de cloreto de sódio. Seu corpo precisa de uma quantidade muito pequena de sal para se manter saudável. A maioria das pessoas extrapola no consumo de sal - principalmente através da ingestão de alimentos processados, o que leva à retenção de líquidos com inchaço ou edemas nos membros superiores e inferiores. 

Assim, independentemente de qual tipo de sal você preferir, pegue leve no saleiro e limite o total de sódio para menos de 2.400 miligramas por dia ou 1.500 miligramas, se você estiver com 51 anos ou mais, se for da raça negra, tiver pressão alta, diabetes ou doença renal crônica.

Mais informações: www.jocelemsalgado.com.br


Jocelem Salgado 
Profª. Titular em Nutrição LAN/ESALQ/USP/Campus, Piracicaba



*   *   *

[NOTA: o sal refinado é somente "cloreto de sódio". O sal verdadeiro, contém todos os minerais necessários à nossa saúde, portanto, devemos sempre utilizar o SAL MARINHO IODADO, OU MESMO O SAL GROSSO, para a prevenção e a manutenção de nossa saúde!]

NOTA: SAL REFINADO NÃO É SAL, É SOMENTE 'CLORETO DE SÓDIO'! INFORME-SE!




* * * * * 
* * * 




sexta-feira, 11 de maio de 2012

Remédio para calvície masculina e impotência sexual

Remédio para calvície masculina pode ser um risco para a sua saúde sexual

08/05/2012

Dr. Wilson Rondó Jr.
Medicina Preventiva Ortomolecular

Homens, tomem muito cuidado! A vaidade excessiva pode estar colocando a saúde sexual de vocês em risco. É muito importante que vocês saibam que o uso de uma medicação comum para a queda de cabelos (Finasterida) pode causar efeitos colaterais indesejáveis.

Esse tipo de medicação age reduzindo o DHT, o mais potente hormônio masculino e que está relacionado à perda de cabelo através do bloqueio da enzima 5 alfa redutase. Mas, apesar das imagens de resultados expressivos mostrando que a calvície dos homens praticamente desaparece com o uso da Finasterida, ele traz consigo um perturbador efeito colateral: a impotência sexual.

Infelizmente, essa informação não vem especificada no rótulo dos produtos, sendo assim muitos homens não associam o tratamento a algum tipo de desconforto. O laboratório que produz o medicamento até menciona em seu site que o uso da substância pode causar a dificuldade de manter a ereção, mas afirma também que o problema regride quando não há mais o uso da mesma. Entretanto, médicos especialistas na área asseguram que as coisas não são bem assim.

Os médicos afirmam que a completa impotência não é incomum mesmo entre homens que pararam com a medicação. Essa condição é tão verdade que existe um portal, o propeciahelp.com, formado por homens com problemas sexuais que persistiram mesmo após pararem com a medicação. Esse site já conta com mais de mil membros, muitos acreditando que sofrem da síndrome Pós-Finasterida. Há ainda homens que apresentam o hipogonadismo secundário, fato que ocorre quando as glândulas sexuais produzem pouco ou nenhum hormônio.

Sobre os fatores que causam a calvície em homens muito se diz que ela é uma condição genética e que não há muito que possa ser feito para alterar esse fato. Mas, apesar da ciência sobre este fator, existe também uma predisposição causada pelo ambiental.

Algumas evidências demonstram que a calvície precoce no homem pode ser um marcador clínico de resistência à insulina, uma condição onde a pessoa perde a sensibilidade à substância resultando em excesso de açúcar no sangue. Como já comentamos várias vezes, a resistência à insulina é a causa de muitas doenças crônicas e manter adequado o nível de insulina é o primeiro fator de boa saúde!

Por tanto, para que você possa se prevenir contra a calvície sem a necessidade de fazer o uso de medicamentos como a Finasterida e ainda manter o seu nível de insulina em dia, anote essas dicas:

·        Pratique exercícios regularmente;
·        Evite frutose/açúcar e grãos (incluindo os integrais), pois eles são convertidos em açúcar rapidamente no seu corpo elevam à resistência à insulina;
·        Procure descobrir o seu tipo metabólico e comece a consumir alimentos que são mais adequados a ele, assim você estará provendo melhor nutrição para o seu corpo e do seu cabelo.

Manter a beleza não significa danificar sua saúde. Fique de olho e boa saúde, inclusive a sexual!

- Lancet  Sep  30, 2000;356:1165 - 1166 


Fonte:





quinta-feira, 3 de maio de 2012


Fibromialgia: Uma dor real

30/04/2012

Dr. Wilson Rondó Jr.
Medicina Preventiva Molecular

 
Estimativas alertam que cerca de 4% da população seja afetada pela fibromialgia, sendo que em cada 10 casos acometidos 9 são em mulheres.

Os principais sintomas relatados por pacientes que sofrem com a fibromialgia são a sensação de sensibilidade, rigidez muscular (muitas vezes insuportável) e dores em várias partes do corpo. É comum também apresentarem cansaço, depressão e distúrbios gastrointestinais.
Mas, infelizmente, mesmo que os sintomas sejam aparentes, o diagnóstico da fibromialgia passa despercebido pelo fato da doença não apresentar sinais físicos que possam caracterizá-la.
Em recente pesquisa, realizada com 20 mulheres diagnosticadas com a doença e 10 mulheres saudáveis, estudiosos detectaram anormalidades no cérebro daquelas com fibromialgia. O processo de análise incluiu uma tomografia computadorizada que permitiu observar que as mulheres que têm a doença apresentavam alterações no fluxo sanguíneo cerebral. Essa alteração é diretamente proporcional à intensidade da doença.
Outro dado importante levantado pela pesquisa é o de que a alteração no fluxo sanguíneo foi observada na região cerebral conhecida por mensurar a intensidade da dor.
Devida a intensidade da dor provocada pela fibromialgia, muitas pessoas não respondem bem ao tratamento feito com analgésicos convencionais. Além disso, a medicação aprovada para esse fim tem causado efeitos colaterais como o ganho de peso, por exemplo. Por isso, aconselho a todos os meus pacientes a utilizarem uma “estratégia”, onde com certeza não existirá um único comprimido que cure a doença.

Tratando a fibromialgia de modo natural

Existem diversas abordagens para o tratamento natural da fibromialgia. Aconselho que você converse com seu médico sobre essas formas e se informe.
Um programa para esse fim deve fazer atenção aos seguintes quesitos:

1 – Eliminando a alergia alimentar:

Muitas pessoas com fibromialgia apresentam alergia alimentar e têm redução dos seus sintomas pela eliminação de um ou mais alimentos da sua dieta, como: milho, trigo, laticínios, cítricos, soja e nozes.
Um estudo mostrou que cerca de metade dos pacientes relataram significante melhora das dores cerca de duas semanas após deixarem de ingerir esses alimentos e mais de 75% relataram redução de outros sintomas como enxaqueca, cansaço e distensão abdominal.

2 – Identificando o seu tipo metabólico

Passando a se alimentar, de acordo com este modelo, você promoverá uma considerável melhora da fibromialgia. Ajustando a sua dieta para a sua bioquímica individual você estará gerando bem-estar e a sua nutrição correta.

3 – Tratando a ecologia intestinal

Existe uma correlação direta entre fibromialgia e crescimento de fungos (cândida) no trato digestivo. Os pacientes com essa patologia melhoram sensivelmente quando seguem uma alimentação anticândida e utilizam um protocolo direcionado para eliminar esse crescimento de fungos, o que inclui probióticos e medicações antifúngicas.
Segundo o Dr. Carol Jessup, que tratou mais de 1.000 pacientes com fibromialgia, com o uso dessa estratégia probiótica e antifúngicos quando necessária, cerca de 80% dos pacientes com fibromialgia apresentavam candidíase e a maioria deles se recuperou da fibromialgia ao eliminar a candidíase.

4 – Hormônio tireoidiano

Um dos componentes da fibromialgia é a disfunção da tireoide e segundo as pesquisas do Dr. John Lowe, especialista em tireoide, pode ser o hormônio tireoidiano o elemento que falta na abordagem terapêutica da fibromialgia e que frequentemente é ignorado.
Cerca de 40% da população apresenta função tireoidiana sub ótima, causando hipotireoidismo ou resistência ao hormônio da tireoide. Isso resulta em manifestações clínicas de fibromialgia, pois muitas vezes os testes laboratoriais para alteração do hormônio tireoidiano não são claros para o diagnóstico e não se correlacionam com outros métodos mais eficientes como a taxa metabólica basal.

5 – Exercícios

Os estudos mostram que a combinação de exercício aeróbico e alongamentos podem melhorar, e muito, os sintomas de fibromialgia.
Pesquisadores de Harvard avaliaram que depois da prática de exercícios por 20 semanas, as mulheres apresentaram uma considerável melhora da resistência e da força muscular, havendo também uma atenuação dos sintomas da fibromialgia, tais como a dor, depressão, fadiga e rigidez muscular.

6 – Acupuntura

Estudos tem mostrado que acupuntura age nos pontos de alívio de dor, cortando o fluxo sanguíneo nas áreas do cérebro responsáveis por esse sentimento, em segundos. Como consequência, a acupuntura fornece o alívio da fibromialgia por mais de 16 semanas.

7 – Vitamina D

Aumentando os níveis de vitamina D você pode tratar, prevenir e até mesmo reverter uma quantidade enorme de doenças, inclusive Fibromialgia, segundo o Dr. Michael F. Holick, que publicou o livro sobre os benefícios da vitamina D.
The Vit. D Solution: A3 – Step Strategy to Cure our Most Common Health Problem.

8 – Metais tóxicos

Talvez não tenhamos ainda muita noção, mas estamos absorvendo diariamente, seja pela água, pelo ar e por alimentos uma grande quantidade de metais tóxicos que podem induzir, gerar ou simular qualquer doença. Portanto, devemos investigar sempre os níveis dos seguintes metais em nossa alimentação:
- mercúrio
- chumbo
- alumínio
- cádmio
Muitas vezes, a sua desintoxicação promove a redução ou reversão do quadro clinico da fibromialgia.

9 – Terapias nutricionais, contendo vitaminas do complexo B, vit. C, magnésio e cálcio trazem melhoras importantes para os pacientes com fibromialgia.

10 – Lítio

Os sintomas de fibromialgia têm melhora significativa quando se associa lítio ao tratamento. Vale destacar que não há nenhum problema em associá-lo à medicação de tratamentos convencionais, que incluem tranquilizantes, antidepressivos e medicações anti-inflamatórias não esteroides (que só mascaram a dor).
Um estudo examinou três mulheres com fibromialgia, que não respondiam ao tratamento convencional. Quando os pesquisadores associaram lítio para o tratamento destas mulheres, as três apresentaram melhoras importantes nos seus sintomas.
Caso decida usar lítio, é importante que inclua o ômega 3 na sua dieta, pois esses ácidos graxos essenciais previnem contra a toxicidade do lítio.

11 – Fitoterápicos

Os pacientes com fibromialgia não têm a resposta normal ao estresse. A glândula adrenal é o órgão primário de resposta ao estresse, sendo a córtex adrenal responsável por lidar com o estresse crônico. O córtex adrenal está sob o controle da glândula pituitária que, por sua vez, está sob o controle da parte do cérebro conhecida como hipotálamo.

Esse trio de resposta ao estresse é conhecido como eixo adrenal-pituitária-hipotalamino (HPA). Nos pacientes com fibromialgia, o eixo HPA funciona de forma anormal: o hipotálamo e a pituitária hiper-reagem, e a adrenal não responde como deveria. Isso causa a chamada exaustão de glândula adrenal.

Para normalizar isso, revigorando a glândula adrenal, uma das estratégias de tratamento visa a utilização dos fitoterápicos adaptogênicos. Alguns exemplos são:

- ginseng coreano (panax ginseng),
- ashwaganda (withania sommfera) e
- eleuthero (eleuthero coccus senticosus)
que são tônicos e adaptogênicos que também melhoram a resposta do eixo HPA.

Outros sintomas que podem ser percebidos por conta da fibromialgia são a baixa concentração e a falta de memória, circulação anormal cerebral e a dificuldade para dormir.

O uso de Valeriana, ou erva de São João, pode melhorar a qualidade do sono, além de combater a depressão. Por sua vez, a Ginkgo Biloba melhora a circulação incluindo a circulação cerebral, memória e concentração.
Mas, muita atenção! Eu aconselho que você use esse tipo de suplementação fitoterápica somente se for por supervisão de um profissional médico especializado e familiarizado com esse tipo de terapia.

Não há cura mágica para a fibromialgia, mas a minha experiência me permite afirmar que esses tratamentos podem trazer benefícios em termos de suporte e alívio dos sintomas.

Esses tratamentos podem não ser a cura, mas é certo de que esta deve começar por algum lugar!


Referência bibliográfica:

- Ageing Res Ver 2002, 1(2): 243-255
- Ann NY Acad Su 1999; 876: 325-338
- J. Rheumatol  1998; 25(7): 1,371-1,381
- Arthritis Rheum  1994; 37(11): 1583-1592
- J. Clin Exp Neuropsychol  1999; 21(4): 40(7): 806-810
- J. Clin Exp Neuropsychol  1999; 21(4): 477-487
- Arthrits Rheum  2000; 43(12): 2823-2833
- Arthrits Rheum  1995; 38(7): 926-938
- Modern Herbal Medicine. Churchill Living store, Edinburg, 2000; PP
394-403
- Arthrits & Rheumatsim  2002; 46:1333-1343
- Annual Meeting of the American College of Nutrition in Orlando, Florida. Oct 2001
- Journal of Nuclear Medicine. Nov 2008. vol. 49 nº11 1798-1803
- Science Daity. Dec 1, 2008
- Linkoping University Medical Dissertations. Dec 5, 2008
- NaturaIngredients April 20, 2010




Dr. Wilson Rondó Jr.
Iniciou sua carreira como cirurgião vascular, tendo trabalhado como residente na Clinique du Mail La Rochelle, na França. Dedicou-se especialmente à Medicina Preventiva Molecular, especializando-se em Terapias Antioxidantes pelo The Robert W. Bradford Institute, nos EUA e no Regenerations Zentrum Dr. Kleanthous Embh (Heideberg) na Alemanha.
Graduado pela Faculdade de Santo Amaro em 1983. É membro e diplomado pelo American College of Advancement in Medicine.
Pertence ainda a diversas outras instituições no Brasil e no Exterior.
Possui vários artigos publicados em revistas médicas, além de livros com temas relacionados a nutrição, medicina preventiva e esportiva.
  
   

Fonte:






quinta-feira, 5 de abril de 2012

HOMEOPATIA - O que é isso? Dr alfredo Castro


HOMEOPATIA – O QUE É ISSO?

Dr. Alfredo Castro
Médico Homeopata


   A palavra “Homeopatia” deriva de dois termos gregos que significam “sofrimentos semelhantes”. Refere-se a um método de tratamento médico baseado em lei fundamental, que tem sido muitas e muitas vezes provado pela experiência.
   Qual é essa lei? Pode ser sintetizada pela expressão “Similia similibus curentur” – “Os semelhantes curam-se pelos semelhantes”. Se uma substância, seja por arsênico, for dada em grandes doses a uma pessoa sadia, produzirá certos sintomas, tais como fortes dores gástricas, vômitos e diarréia. Pode-se dar, pois esse medicamento a doentes com os mesmos sintomas como é o caso no envenenamento alimentar. É bem sabido que os raios-X é o rádio produzem câncer e, no entanto, são usados com eficiência maior ou menor no tratamento dessa doença. A semelhança sintomática – não a exigüidade da dose como se pensa vulgarmente – é a base da Homeopatia. É verdade que o médico homeopata de fato usa muito comumente, doses infinitamente pequenas, porque, de maneira geral, elas agem mais eficientemente – mas doses bastante grandes podem ser empregadas homeopaticamente.

   A dose diminuta prescrita pelo homeopata não é mera diluição – ou atenuação – da droga forte: é o que se chama “potência”, isto é, algo que possui poder. O método especial usado na preparação libera um poder terapêutico latente, mas não disponível na substância bruta. Assim, se dermos a uma pessoa certa quantidade de mercúrio comum, ele simplesmente passará pelo estômago e intestinos e será evacuado sem produzir nenhum efeito. Mas se o mercúrio for antes finamente dividido por meio de trituração forte e prolongada, com um pouco de giz – resultando assim o chamado “pó cinzento” – ele agirá então quando ingerido, como laxativo.
   O uso da dose diminuta pelo médico homeopata acentua uma das grandes diferenças entre as duas escolas médicas. A alopata ou médico ortodoxo tende frequentemente a dar as maiores doses possíveis, por pouco não causando óbvio dano aos pacientes, enquanto que a homeopatia procura usualmente as menores doses capazes de beneficiar os doentes. Na verdade, muito frequentemente, a dose é tão pequena que a detecção da droga pela análise ordinária estaria acima das possibilidades de qualquer químico, pois somente resta no preparado a potência ou emanação da droga original. Essa imaterialidade do método homeopático é um dos obstáculos à sua aceitação geral nesta era tão material.

   Como chega o homeopata à prescrição? Ele nunca se esquece de que a doença como tal, em abstração, não existe na realidade – só há pessoas doentes. O indivíduo integral está sempre em seu pensamento. Ele compreende que o homem integral é mais do que a soma total dos seus órgãos. De fato, poder-se-ia dizer que o corpo físico, mortal, é apenas instrumento pelo qual a personalidade imortal do homem se manifesta e entre em relação com outras personalidades e com o meio ambiente.
   Em conseqüência dessa atitude, o médico homeopata não somente procura fazer o diagnóstico físico do paciente – como faz o seu colega alopata – mas compreende não ser isso suficiente para fins de tratamento. Ele necessita diagnosticar o paciente como um todo. Ele, portanto, prossegue até descobrir com que espécie de homem está lidando. Sente-se ele bem no tempo frio ou no tempo quente? Tem medo do trovão? Prefere ficar só ou acompanhado? Quando doente, quer que se ocupem com ele ou quer ficar inteiramente isolado? É através dessas reações que a personalidade do paciente serve de guia ao remédio homeopático. Se essas reações se alteraram um modo ou outro pela doença do paciente, são elas particularmente indicadoras dos remédios. Isso é assim porque certas drogas foram administradas a pessoas sadias por pesquisadores que procuram particularmente as alterações produzidas por essas drogas, não somente no corpo físico do “experimentador” (como são chamados os indivíduos sãos que ingerem a droga), mas também nas suas reações mentais, emocionais e climáticas. Essas indicações são de grande valor, especialmente no tratamento de males crônicos.

   Também em casos agudos, por exemplo, em febres, o homeopata encara o problema de maneira bem diferente do médico comum. O que faz esse último hoje em dia? Usualmente escolhe, dentre muitos preparados, uma sulfa ou um antibiótico que ele julga, por ter dado certo no laboratório, irá haver-se com os micróbios tidos como responsáveis pela doença, dando tempo ao paciente para incrementar seus próprios mecanismos de defesa, matar os micróbios e assim ficar bem. Mas, não raramente, o paciente tem de se recuperar, não somente da infecção original, mas dos efeitos colaterais (ou envenenamento) causados pela droga usada, como os senhores podem já ter experimentado. O médico homeopata, tendo feito o diagnóstico, não considera, entretanto o nome da doença como indicação do remédio que será dado. Para selecionar o remédio, ele precisará ainda a rapidez da evolução da doença, a altura e o caráter da febre, se o doente está agitado ou não, se tem ou não sede, tendo sede se é para grandes ou pequenas porções de cada vez; tendo ele dores, se melhora ou piora com o movimento da parte dolorosa, com a pressão, com a aplicação da calor ou frio, etc... Ainda mais, num paciente delirante, é importante observar o tipo de delírio antes de se decidir sobre o remédio a ser empregado. Combinando as respostas a essas questões, o médico chega a um remédio com ajuste semelhante das respostas, quando foi experimentado em pessoa sadia durante a pesquisa. Não há efeitos colaterais a serem vencidos; o curso da doença é em geral notavelmente livre de complicações; e a convalescença é muito rápida. Escolhendo o remédio dessa maneira, o homeopata tem muito boas razões para acreditar que chegou até a raiz do mal e assim, quando os sintomas declinam, é porque o processo mórbido – a causa dos sintomas – está sendo eliminado.

   O médico homeopata nunca procura remédio específico para todos os casos de determinada doença. Ele dá-se conta de que isso é impossível, pois os indivíduos muito diferem um do outro nas suas reações à mesma infecção aparente. Está sempre em busca do remédio individual, que corresponde a uma pessoa particular naquele momento determinado.
   E as doenças crônicas? Ao tratar muitas das doenças crônicas hoje em dia, o médico ordinário tende a concentrar-se na supressão ou mascaramento dos sintomas mais proeminentes do paciente. Por exemplo, o uso da cortisona na artrite reumatóide, se bem que alivie a dor, não é de maneira alguma tratamento curativo. Tem também a grande desvantagem da possibilidade de provocar outros males em razão dos assim chamados efeitos colaterais. Na verdade, a maioria da medicina moderna está se tornando cada vez mais um sistema de supressão – pondo a poeira debaixo do tapete – e sujeitando o paciente ao que alguns médicos consideram riscos desnecessários, tendo-se em conta que muitos desses remédios modernos não curam, mas meramente aliviam.
   Que não se forme a idéia, pelas proposições acima, de que as sulfas e os antibióticos não tenham valor. São de grande valor se o médico não conhece nada melhor. O homeopata, entretanto, usá-los-á ocasionalmente, mas só em doenças muito graves,  como por exemplo – meningite – onde o risco de vida e de incapacidade permanente é tão urgente que ele combinaria o remédio homeopaticamente selecionado com o uso de necessário antibiótico.

   Há idéias errôneas, muito comumente sustentadas, de que o médico homeopata não acredita em operações. Não se trata de crença, mas de conhecimentos e de experiência. É verdade que em certas ocasiões o tratamento homeopático será bem sucedido onde a cirurgia, falando em geral, seria encarada como o único tratamento possível. Se a doença progrediu a ponto de ser irreversível e a cirurgia pode auxiliar o paciente, o homeopata não hesita em solicitar o auxílio do cirurgião. Mesmo em casos cirúrgicos, o tratamento homeopático, antes e depois da operação, pode ser benéfico.
   Esse tratamento homeopático é alguma invencionice? De maneira alguma. Foi primeiramente sugerido por famoso médico grego – Hipócrates – que viveu de 460 a 370 antes da era cristã. Entretanto, não foi posto em prática, tanto quanto se sabe, até que um médico ilustre, químico e lingüista – Samuel Hahnemann – desenvolveu-o e praticou, primeiramente na Alemanha e depois na França. Isso foi há cerca de 150 anos. Tem sido praticado aqui na Inglaterra por minoria de médicos durante quase o mesmo número de anos. O principal hospital homeopático da Grã-Bretanha celebrou seu centenário em 1949. é também praticado em muitos outros países, no mundo inteiro.



Fonte:
Hemergências Homeopáticas no Lar – págs. 11-17
Dr. Alfredo Castro
Homeolivros



 
  Dr. Alfredo Castro (Médico Homeopata) 
   1916-1983 

  Dr. Alfredo Castro 


VEJA TAMBÉM: 

PHOTOTHÈQUE HOMÉOPATHIQUE présentée par Homéopathe International 
Dr Alfredo CASTRO (1916-1983)








segunda-feira, 12 de março de 2012

O SURPREENDENTE FENÔMENO DA RESPIRAÇÃO



O surpreendente fenômeno da respiração – parte 1



O surpreendente fenômeno da respiração – parte 1

Por Gilberto Coutinho,
é terapeuta naturopata com formação
em Medicina Tradicional Indiana


Talvez, a fonte de oxigênio da atmosfera terrestre seja proveniente de épocas pré-cambrianas – há 600 milhões de anos"

Esta é a primeira parte de uma série de três artigos sobre a respiração.

Para a Biologia e a Medicina, a respiração (do lat. respiratio, respirationis), um dos processos fisiológicos mais importantes dos seres vivos, consiste num conjunto de fenômenos bioquímicos que permite a absorção do oxigênio (O2) e a eliminação do gás carbônico (anidrido carbônico, CO2), ou seja, tem por objetivo fornecer oxigênio aos tecidos e remover o dióxido de carbono.

Nos vegetais, a respiração ocorre no interior de todas as células, ao nível do citoplasma e das mitocôndrias (organelas responsáveis pela respiração celular), processo que possibilita a oxidação de compostos orgânicos e a liberação de energia necessária para a realização de todos os processos metabólicos relacionados à vida.

Durante a respiração de um vegetal, há absorção do oxigênio atmosférico e a liberação de gás carbônico, água (H2O) e energia. A fotossíntese, que se diferencia da respiração, processa-se nas plantas verdes (clorofiladas), na presença da luz, no interior das células vegetais (nos cloroplastos, organelas que contêm clorofila, sendo mais abundantes nas folhas), para produzir moléculas ou compostos orgânicos energéticos (glucídios/amidos, lipídios e moléculas azotadas), a partir de moléculas simples (CO2, H2O e sais minerais); fenômeno caracterizado pela absorção de carbono e liberação de oxigênio. Contudo, a respiração de uma célula vegetal e a fotossíntese são reações “metabólicas” inversas e complementares. A matéria-prima (CO2 e H2O) empregada para a realização da fotossíntese consiste nos produtos da reação da respiração. O contrário também é verdadeiro, a fotossíntese armazena energia na forma de compostos de carbono, e a respiração, por sua vez, extrai – via oxidação – energia desses compostos.

Talvez, a fonte de oxigênio da atmosfera terrestre seja proveniente de épocas pré-cambrianas – há 600 milhões de anos; e, mediante estudos filogenéticos e morfológicos, os biologistas acreditam que as plantas (reino Plantae) tenham surgido a partir de um grupo ancestral de algas verdes. Numa reflexão, pode-se entender quão maravilhosas, úteis e vitais são as plantas, o quanto elas foram importantes para o surgimento da vida no planeta, e, ainda, como são indispensáveis para que a contínua evolução de todas as demais espécies possa ocorrer e também possam continuar a existir.

Estudos realizados, na “Universidade Yale” – EUA, comprovam alterações recentes nos genes e nas características físicas do ser humano, evidenciando que a espécie não para de mudar. A vida como é conhecida hoje no planeta Terra não poderá continuar a existir sem o equilíbrio dos ecossistemas, das plantas e florestas. Apesar de todo estudo já realizado pelo Homo sapiens e do avanço tecnológico, toda importância do reino Plantae e da preservação dos ecossistemas continua ainda sendo ignorado, menosprezado, e as florestas, tão destruídas, continuamente dizimadas, assim como muitas outras espécies vivas, correm o risco de muito brevemente serem completamente extintas.

Como a vida, os seres, a humanidade poderão continuar existindo no planeta sem a preservação e o equilíbrio dos demais ecossistemas?
Pense nisso...

Bem... na segunda parte deste texto irei explicar o que é o prana.




O surpreendente fenômeno da respiração - Parte II

“Quando a respiração é instável, a mente também se torna instável. Quando a respiração é estável, a mente é estável e o yogue se torna estável. Portanto, a respiração deve ser controlada”

Para os grandes sábios védicos e yogues da antiga Índia, a respiração é uma manifestação do prâna – bioenergia, energia da vida ou força vital que a sustenta –, presente na natureza, em todo o universo, a soma de todas as energias manifestas no universo ou das forças da natureza; meio pelo qual a vida nos seres vivos se mantém.

Para os yogues, a respiração pode ser comparada ao próprio Brahman (oAbsoluto, o fundamento transcendente da existência), e o prâna não significa apenas o oxigênio. Os yogues também compreendem que todas as forças e poderes do prâna se originam de uma única fonte: Atman (o si mesmo transcendente, idêntico ao Absoluto, Brahman); para eles, quem conhece o prâna conhece os Vedas – as quatro escrituras antigas e sagradas da Índia. É por tal razão que os yogues dão enorme importância à respiração e ao seu devido controle, mediante técnicas especiais: exercícios respiratórios (pránáyámas) e gestos simbólicos feitos com os dedos das mãos (mudrás).

Além da respiração, os seres humanos também absorvem o prâna através do consumo de alimentos frescos e saudáveis, da água pura, da luz do sol, do contato com a terra e a natureza. Segundo o Samkhya – uma das seis escolasclássicas de pensamento da antiga Índia, ciência-irmã do Yoga –, o prâna é a primeira manifestação de Shakti (o aspecto feminino do criador).

Contraditoriamente, o oxigênio, ou o metabolismo à base de oxigênio, que mantém os seres humanos vivos e respirando – fundamentais às suas vidas –, é também o responsável pelo seu envelhecimento, pelo surgimento das doenças que afetam os diversos órgãos e sistemas e também pela sua morte.

Em 1954, o processo natural de envelhecimento do organismo foi relacionado à ação contínua dos radicais livres. De todo oxigênio absorvido pela célula, cerca de 95% são transformados em energia para sua própria subsistência, e 5% são convertidos em radicais livres de oxigênio. A combustão de nutrientes, no interior das células, gera continuadamente a formação de radicais livres, moléculas altamente reativas e tóxicas. Ao reagir com as células, os radicais livres, aos poucos, danificam as suas estruturas e o seu DNA, alteram as proteínas, os lipídios e os carboidratos, enrijecem as artérias, danificam os tecidos, etc.

Segundo os cientistas, o organismo humano necessita de uma pequena quantidade de radicais livres para que esses sejam utilizados em algumas reações fisiológicas específicas: na eliminação de bactérias fagocitadas pelos neutrófilos (células sanguíneas leucocitárias que fazem parte do sistema imunológico). Na tentativa de se neutralizar completamente a produção de radicais livres, com o objetivo de bloquear a sua formação, interfere-se na bioquímica e nas defesas naturais do próprio organismo.

Nesse sentido, o Yoga também pode apresentar alternativas, ser uma luz no final do túnel. As pessoas muito poderiam se beneficiar com a prática diária dos ensinamentos e das técnicas yogues. Não é por acaso que os maiores esportistas do mundo – alpinistas, mergulhadores, corredores, ginastas, etc., procuram os yogues para aprender as técnicas de controle mental, da respiração e do corpo, e assim melhorar o condicionamento cardiorrespiratório e as suas performances.

Cada vez mais, pessoas do mundo inteiro têm procurado o Yoga com o intuito de desenvolver a concentração, aprender a meditar, aprimorar a coordenação motora e a psicomotricidade; ampliar a capacidade respiratória, combater o estresse, estimular a reorganização neurofuncional, dentre outras tantas razões.

Segundo recentes estimativas, só nos Estados Unidos, o número de praticantes de Yoga alcança a marca de 25 milhões e movimenta um mercado de US$ 6 bilhões; no Brasil, são cerca de 5 milhões de pessoas. Na Índia, desde tempos remotos – muito antes de Cristo –, yogues já empregavam uma dieta sattva (pura e saudável, que favorece a prática da concentração e meditação; a mais elevada das qualidades primárias da natureza), pránáyámas (exercícios respiratórios) e mudrás (gestos simbólicos feitos com os dedos das mãos), dentre outras técnicas, como ásanas (posições psicofísicas), concentração (dharana), meditação (dhyana), relaxamento neuropsíquico e muscular (yoganidrá) e mantras (sons “sagrados” que auxiliam a concentração e a transcendência dos estados comuns de consciência), com o objetivo de desenvolver o autocontrole, promover e preservar o equilíbrio psicofisiológico, o bem-estar, a saúde, a lucidez, o discernimento mental, o domínio sobre o prâna, a espiritualidade e a longevidade.

Alguns yogues conseguem preservar a juventude e a saúde do corpo físico por muito tempo (mesmo com certa idade avançada), conquistam uma vida longeva mediante o controle consciente da respiração (reduzindo, consideravelmente, a frequência respiratória e cardíaca), além de alguns siddhis (perfeição espiritual, completude e certos “poderes” psicofísicos).

Para o Yoga, controlar o prâna significa dominar a mente e a respiração. A psique (mente) não pode operar sem o auxílio do prâna e de suas vibrações. É o prâna que, através da respiração, move a mente. Portanto, a respiração encontra-se intimamente relacionada com a mente e as emoções, e vice-versa.

“Quando a respiração é instável, a mente também se torna instável. Quando a respiração é estável, a mente é estável e o yogue se torna estável. Portanto, a respiração deve ser controlada” (The Hatha Yoga Pradipika – II,2).

Através das vibrações do prâna, as atividades da mente são preservadas, e o pensamento (samkalpa) é produzido. Mediante o controle da respiração, é possível também controlar os vários movimentos do corpo e os estímulos nervosos.

O Hatha Yoga Pradipika, o principal tratado clássico sobre o Hatha Yoga, de autoria do grande mestre Svatmarama, adverte: “Assim como o leão, o elefante e o tigre são amansados gradativamente, a respiração deve ser controlada aos poucos, do contrário prejudica o praticante” (II, 15).

Fonte:




O surpreendente fenômeno da respiração - Parte III

Respirar menos traz longa vida -"Uma pessoa adulta respira em média de 12 a 18 vezes por minuto. Um yogue iniciante, respira cerca de oito vezes por minuto; já um yogue experiente, apresenta uma frequência respiratória de quatro vezes por minuto"

Já escrevi dois textos sobre o fenômeno da respiração - clique aqui e leia. Devido à importância do assunto, acabei me estendendo e será então um série de seis artigos. Vamos então ao terceiro.

O nariz, a faringe, a laringe, a traqueia, os brônquios e bronquíolos (considerados órgãos condutores do ar), juntamente com os pulmões e alvéolos (órgãos respiratórios), constituem o importante sistema respiratório, cujas funções são: absorção do oxigênio (O2) e a eliminação do gás carbônico (CO2), produção da voz (pelas cordas vocais) e regulação da acidez no sangue.

A respiração é controlada pelo cérebro (encéfalo), centro de controle de todas as atividades do corpo, mediante dois sistemas neurais distintos, mas que se inter-relacionam: o voluntário (coordena a respiração ligada a diversas atividades motoras) e o involuntário ou autônomo (mantenedor da homeostasia). Maior órgão do sistema nervoso central (SNC), o encéfalo é composto pelo cérebro (formado por dois hemisférios cerebrais, unidos pelo corpo caloso, responsável pelas atividades conscientes e inteligentes), cerebelo (responsável pela manutenção da postura e coordenação motora) e bulbo raquidiano, que também permite sentir, pensar, lembrar, raciocinar, ouvir, falar, movimentar, andar, etc. O sistema nervoso central é composto de mais de 100 bilhões de neurônios ou células nervosas.

Breve anatomia e fisiologia dos pulmões

Os pulmões, órgãos da respiração, são brilhantes, elásticos, moles, esponjosos e revestidos pela pleura pulmonar (membrana serosa que cobre os pulmões), encontram-se localizados no interior da caixa torácica e separados entre si pelo mediastino (espaço compreendido entre os dois pulmões, abriga o coração, o timo, os grandes vasos (a aorta), a traqueia, os brônquios, o esôfago, o canal torácico, vasos linfáticos, gânglios simpáticos e nervos). Os pulmões flutuam no interior da caixa torácica, envolvido por uma camada muito fina de líquido pleural, que lubrifica os movimentos dos pulmões no interior da cavidade.

Anatomicamente, o ápice do pulmão encontra-se na altura da primeira costela e na altura do processo espinhoso da 7ª vértebra cervical, e a sua borda inferior, na altura da 10ª e 11ª vértebras torácicas. O pulmão esquerdo é dividido em dois lobos (superior e inferior), por uma cisura interlobar; o direito, em três lobos (superior, médio e inferior), por duas cisuras interlobares. O tecido funcional do pulmão (parênquima) é formado por alvéolos suspensos em cachos na extremidade dos bronquíolos, últimas ramificações da árvore brônquica. Sendo os alvéolos a parte funcional dos pulmões, neles ocorrem as trocas gasosas que garantem a oxigenação do sangue; o sangue venoso se transforma em sangue arterial, fenômeno conhecido como hematose.

Uma técnica do Yoga, chamada de Prana kriya pránáyáma (respiração completa), além de fortalecer e preservar a funcionalidade dos músculos respiratórios, auxilia na purificação e no fortalecimento dos pulmões (auxiliando na prevenção e no combate das afecções = doenças); amplia a capacidade respiratória e combate a respiração curta e deficiente; beneficia a musculatura peitoral e das costas, a coluna vertebral e auxilia na prevenção e no combate das tensões, das dores musculares e dos problemas da coluna vertebral; melhora o suprimento de oxigênio para as células do sangue, estimulando a circulação sanguínea. Uma adequada respiração proporciona mais energia, disposição e vitalidade ao organismo.

A traqueia, conduto fibrocartilaginoso que liga a laringe aos brônquios e conduz o ar das vias aéreas superiores para os brônquios e pulmões, divide-se na altura da 5ª ou 6ª vértebra torácica (algumas vezes, da 7ª VT). Encontra-se localizada um pouco mais próxima do ápice do pulmão direito do que do esquerdo.

Respiração voluntária e involuntária

A respiração voluntária é regulada pelo córtex cerebral, região externa do cérebro constituída de substância cinzenta que ocupa toda a superfície das circunvoluções cerebrais; e a involuntária (ou autônoma), pelo segmento inferior do tronco cerebral, constituído pelos centros respiratórios do bulbo raquidiano (mielencéfalo) e pela ponte, que comanda as funções vitais do organismo, como a respiração e o tônus vascular.

A regulação da respiração é mediada por:

(1) receptores (quimiorreceptores e mecanorreceptores);

(2) centros respiratórios;

(3) músculos respiratórios (esqueléticos).

Os receptores recebem informações e as enviam aos centros respiratórios, que coordenam as informações, ativando ou inibindo a ação dos músculos esqueléticos envolvidos na respiração; tais músculos são também chamados de voluntários, pelo fato de serem conscientemente controlados. Os quimiorreceptores são células sensíveis à falta de oxigênio e ao excesso de dióxido de carbono ou de íons hidrogênio.

Eventos da respiração

A respiração pode ser dividida em quatro eventos:

(1) ventilação pulmonar, entrada do ar atmosférico, durante a inspiração, no interior dos pulmões através da árvore brônquica e dos bronquíolos até alcançar os alvéolos;

(2) difusão do oxigênio nos alvéolos pulmonares e a expulsão do dióxido de carbono;

(3) transporte do oxigênio pelo sangue e pelos líquidos corporais até as células e do dióxido de carbono, oriundo das células, para os alvéolos pulmonares;

(4) regulação da respiração.

O yogue, quando pratica pránáyáma (exercício respiratório), realiza ambos os processos, ao respirar de forma regular e equilibrada. Os benefícios mais evidentes do pránáyáma são o aumento da oxigenação e da circulação sanguínea. Tais benefícios também podem ser alcançados pela prática de exercícios aeróbicos. Entretanto, exercícios aeróbicos são catabólicos (gastam energia), e os pránáyámas, são anabólicos (geram energia).

A trajetória do ar atmosférico pelo corpo humano

(1) Nariz: o ar atmosférico, ao ser inspirado pelo nariz ou pela boca, chega até a garganta. A respiração fisiológica é nasal; excepcionalmente, pode-se respirar pela boca.

(2) Epiglote: opérculo fibrocartilaginoso móvel situado sobre a região superior da laringe, um pouco abaixo da base da língua. Deslocando-se para trás, tal estrutura obstrui as vias respiratórias durante a deglutição, impedindo que líquidos e alimentos atinjam os pulmões. Durante a inspiração, a epiglote permite que ar atmosférico chegue até a traqueia.

(3) Traqueia: conduto fibrocartilaginoso que liga a laringe aos brônquios e conduz o ar das vias aéreas superiores para os brônquios e pulmões.

(4) Pulmões

(5) Árvore brônquica: rede tubular de passagem de ar, divide-se em milhares de ramificações, assemelha-se às raízes ou galhos de uma árvore, conduz o oxigênio aos bronquíolos.

(6) Bronquíolos: finíssimos tubos ramificados que terminam nos alvéolos.

(7) Alvéolos pulmonares: cavidade sem saída, onde ocorrem as trocas gasosas entre o sangue e o ar inspirado, devido à existência de capilares (hematose)

(7) Corrente sanguínea

(8) Células.

Frequência e volume respiratório

O volume normal de ar inspirado é de 500 ml, enquanto a frequência respiratória normal de um indivíduo adulto varia entre 12 a 18 respirações por minuto. O volume respiratório é, em média, de 6 litros por minuto. Uma pessoa pode inspirar cerca de 3.500 ml de ar começando a partir da expiração normal e distender os pulmões ao máximo (capacidade inspiratória). Cerca de 2.300 ml de ar permanece nos pulmões ao final da expiração normal (capacidade residual funcional). Em geral, a frequência respiratória normal por minuto no nascimento é de 50 a 40; do 1º aos 12 meses: 35 a 25; de 1 aos 4 anos: 25; e dos 5 aos 15 anos: 25 a 20.

A expiração normal, tranquila e lenta é um processo totalmente passivo, ocasionada pela retração elástica dos pulmões e das estruturas da caixa torácica. Durante a realização de alguns exercícios yogues, pránáyámas (exercícios respiratórios), kriyas (técnicas de purificação do corpo) e bandhas (contrações de plexos nervosos, órgãos e glândulas), tais como, Bhástrika pránáyáma (respiração do fole), Kapalabháti kriya (purificação do crânio), Uddiyana bandha (contração do abdômen para dentro e para cima) e a expiração Há, a expiração deixa de ser passiva e passa a ser controlada de forma voluntária, pela ação rápida e vigorosa dos músculos inspiratórios e expiratórios.

Frequência cardíaca durante o pránáyáma

Durante a inspiração, a frequência respiratória tende aumentar, e, durante a expiração, diminuir.

Frequência cardíaca normal por minuto:

Nascimento: 140 – 130;
1 mês: 130 – 120;
1 ano: 120 – 110;
2 anos: 108 – 90;
3 anos: 90 – 80;
7 anos: 80 – 85;
10 a 20 anos: 85 – 80;
21 a 60 anos: 80 – 70;
mais de 60 anos: 65 – 60.

A respiração de um yogue e de uma tartaruga

A tartaruga respira e se locomove de modo lento, em média, respira cinco vezes por minuto. Segundo pesquisadores, algumas espécies de Testudines (ordem que compreende as tartarugas, cágados e jabutis), podem viver muitos anos, cerca de 400 anos ou mais, dependendo das condições ambientais. As tartarugas e os jabutis estão entre os animais de vida mais longa, perdem apenas para algumas espécies de árvores.

Uma pessoa adulta respira em média de 12 a 18 vezes por minuto. Um yogue iniciante, respira cerca de oito vezes por minuto; já um yogue experiente, apresenta uma frequência respiratória de quatro vezes por minuto. Se compararmos a frequência respiratória de um yogue experiente com a da tartaruga, podemos concluir que o yogue poderá viver acima de 400 anos. Na Índia, há um ditado que diz: “Ao nascer, cada pessoa recebe do criador um número fixo de respirações que ela terá durante a sua vida.”
Composição do ar atmosférico

Durante a inspiração, o ar atmosférico, ao penetrar o orifício nasal e atravessar as extensas conchas nasais, é filtrado e umidificado antes de alcançar os alvéolos pulmonares; é composto de nitrogênio (N2, 78%), oxigênio (21%), dióxido de carbono (0,03%), gases nobres (0,93%) e apenas um pouco de vapor d’água.
 



- - -