Neurociência
ENCONTRE SUA PAZ INTERIOR PROFUNDA
ENCONTRE SUA PAZ INTERIOR PROFUNDA
ENCONTRE SUA PAZ INTERIOR PROFUNDA
Esse derrame de sabedoria me deu o valioso presente de saber que a paz interior profunda está a um pensamento (ou sentimento) de distância. Experimentar a paz não quer dizer que a vida é sempre perfeita. Significa que você é capaz de chegar ao estado mental de tranqüilidade em meio ao caos normal de uma vida frenética. Percebo que para muitos a distância entre a vida pensante e o coração piedoso às vezes parece ser quilométrica. Algumas pessoas percorrem essa distância com um comando. Outras estão tão comprometidas com a falta de esperança, a raiva e a infelicidade que o mero conceito de um coração pacífico parece estranho e fictício.
Esse derrame de sabedoria me deu o valioso presente de saber que a paz interior profunda está a um pensamento (ou sentimento) de distância. Experimentar a paz não quer dizer que a vida é sempre perfeita. Significa que você é capaz de chegar ao estado mental de tranqüilidade em meio ao caos normal de uma vida frenética. Percebo que para muitos a distância entre a vida pensante e o coração piedoso às vezes parece ser quilométrica. Algumas pessoas percorrem essa distância com um comando. Outras estão tão comprometidas com a falta de esperança, a raiva e a infelicidade que o mero conceito de um coração pacífico parece estranho e fictício.
Com base em minha experiência
de perder o lado esquerdo da mente, acredito inteiramente que o sentimento de
paz interior está localizado no circuito neuronal do lado direito do cérebro.
Esse circuito está sempre ativo e disponível para nos ligarmos a ele. O
sentimento de paz é algo que acontece no momento presente. Não é algo que
trazemos conosco do passado ou um projeto para o futuro. O primeiro passo para
experimentar a paz interior é a disponibilidade para estar presente no aqui, no
agora.
Quanto mais consciência temos
de quando percorremos a trilha de paz interior profunda, mais fácil é
escolhermos com consciência estabelecer ligação com esse circuito. Alguns têm
dificuldade para reconhecer quando estão percorrendo esse circuito só porque
têm a mente distraída por outros pensamentos. Isso faz sentido, uma vez que a
nossa sociedade (ocidental) honra e recompensa as habilidade de “fazer” do lado
esquerdo do cérebro muito mais do que as habilidades de “ser” do hemisfério
direito. Assim, se você tem dificuldade para acessar a consciência do circuito
do lado direito de sua mente, deve ser porque fez um trabalho estupendo
aprendendo exatamente o que lhe ensinaram enquanto você crescia. Congratule
suas células pelo sucesso, e, como diz meu bom amigo, Dr. Kat domingo:
“Esclarecimento não é um processo de aprendizado; é um processo de
desaprendizado.”
Como os dois hemisférios
trabalham juntos para gerar nossa percepção de realidade em uma base momento a
momento, exercitamos o lado direito da mente o tempo todo. Assim que você
aprender a reconhecer os sentimentos sutis (e a fisiologia) que percorrem seu
corpo quando está conectado ao circuito do momento presente, pode então se
treinar para reativar esse circuito sob demanda. Vou dividir com você uma
variedade de maneiras pelas quais eu me lembro de voltar à consciência e à
personalidade do lado direito, pacífico e presente, de meu cérebro.
A primeira coisa que faço
para experimentar paz interior é lembrar que sou parte de uma estrutura maior –
um eterno fluxo de energia e moléculas do qual não posso ser separada. Saber
que faço parte do fluxo cósmico me faz sentir segura e experimentar minha vida
como o paraíso na Terra. Como posso me sentir vulnerável quando não é possível
me separar do todo maior? O lado esquerdo de minha mente pensa em mim como um
indivíduo frágil capaz de perder a vida. O lado direito percebe que a essência
do meu ser tem vida eterna. Embora eu possa perder essas células e minha
habilidade de perceber esse mundo tridimensional, minha energia vai
simplesmente ser absorvida de volta para o tranqüilo mar de euforia. Saber
disso me faz sentir grata pelo tempo que tenho aqui e me sinto entusiasmada e
comprometida com o bem-estar das células que constituem minha vida.
Para voltar ao momento
presente, devemos reduzir com consciência a velocidade da mente. Para isso,
primeiro afirme que você não está com pressa. O lado esquerdo de sua mente pode
estar apressando você, pensando, deliberando e analisando, mas o lado direito
da mente é muito moderado.
Agora, além de ler este
livro, o que você está fazendo? Está percorrendo alguma trilha cognitiva além
de fazer sua leitura? Está olhando para o relógio ou sentado em um lugar
movimentado? Tome consciência de seus pensamentos externos, agradeça a eles
pelo serviço, e peça que se calem por algum tempo. Não estamos pedindo a eles
que partam; é só para pressionar o botão pausa
por alguns poucos minutos. Fique tranqüilo; eles não irão a lugar nenhum.
Quando estiver pronto para se religar ao seu contador de histórias, ele se
conectará novamente sem demora.
Quando estamos ligados a
pensamentos cognitivos e percorrendo trilhas mentais, do ponto de vista técnico
não estamos no momento presente. Podemos estar pensando sobre algo que já
aconteceu ou sobre alguma coisa que ainda não aconteceu, e, apesar do nosso
corpo estar aqui, agora, a mente está e outro lugar. Para voltar à experiência
do momento presente, permita que sua consciência se desvie daquelas trilhas
cognitivas que o distraem do que está acontecendo agora.
Pense em sua respiração, se
quiser. Como está lendo este livro, é provável que esteja sentado numa posição
relaxada. Inspire profundamente. Vá em frente, é bom. Leve o ar ao peito e veja
sua barriga inchar. O que está acontecendo no interior de seu corpo? Ele está
em posição confortável? Seu estômago está calmo ou agitado? Você está com fome?
Tem a bexiga cheia? A boca está seca? Suas células parecem cansadas ou
renovadas? Como está sua nuca? Faça uma pausa de todos os pensamentos que
possam distraí-lo e observe sua vida por um momento. Onde você está sentado?
Como é a iluminação? Como você se sente em relação ao lugar onde você está
sentado? Inspire profundamente mais uma vez. E de novo. Relaxe dentro de seu
corpo, suavize esse momento; você é um ser humano vivo e próspero! Deixe esse
sentimento de celebração e gratidão inundar sua consciência.
Para me ajudar a encontrar o
caminho de volta para o lado direito pacifico de minha mente, olho para como
meu corpo organiza informação em sistemas e lida com ela de acordo com
circuitos já estabelecidos. Descubro que prestar atenção à informação sensorial
no momento em que ela penetra meu corpo é uma ferramenta muito útil. Porém, não
foco somente informação sensorial, mas me conecto conscientemente à experiência
fisiológica na base desse circuito sensorial. Pergunto a mim mesma
repetidamente: Qual é a sensação de estar
aqui fazendo isso?
Comer, beber e sentir alegria
são coisas que acontecem no presente momento. A boca contém vários tipos de receptores
sensoriais que nos permitem não só sentir diferentes sabores, mas perceber
texturas únicas e temperaturas variadas. Tente observar com mais atenção como é
diferente o sabor dos alimentos. Preste atenção à textura de comidas distintas
e qual é a sensação de tê-las na boca. Que alimentos você classificaria como
divertidos, e por quê? Adoro perseguir aquelas pequeninas bolas de gelatina no
sagu. Espaguete também é uma excelente textura para brincar. Porém, o que
considero mais divertido em matéria de comida é extrair o interior de ervilhas
congeladas e esmagar purê de batatas por entre os dentes. Sei que sua mãe deve
ter expurgado esses comportamentos do seu repertório quando você ainda era
pequeno, mas na privacidade da sua casa não há nada demais em se divertir. É
realmente difícil ser tomada por pensamentos estressantes quando você está se
divertindo com comida!
Além dos atributos físicos do
consumo de alimentos, é de vital importância considerarmos o impacto
fisiológico que o alimento tem sobre o corpo e mente. Saindo do foco do valor
nutricional, tente prestar atenção a como determinados alimentos fazem seu
corpo se sentir. Açúcar e cafeína me , agitada minutos depois do consumo. É uma
sensação que não aprecio, por isso tento evita-los. Comer coisas que contém
triptofano (leite, banana e peru) eleva com rapidez os níveis de serotonina em
meu cérebro, tornando-me mais afável. Escolho deliberadamente esses alimentos
quando quero me concentrar e me sentir calma.
Em geral, carboidratos
transformam-se imediatamente em açúcar e fazem meu corpo se sentir letárgico, e
minha mente, espástica. Também não gosto de como os carboidratos provocam minha
resposta açúcar/insulina e depois me deixam com forte desejo de consumir mais
desses alimentos. Gosto de como as proteínas me dão energia sem estimular altos
e baixos emocionais. Você pode ter respostas diferentes a esses alimentos, e
isso é comum. Uma dieta balanceada é importante, mas prestar atenção a como
você queima calorias e como essas comidas fazem você se sentir por dentro deve
ser uma prioridade.
Uma das maneiras mais fáceis
de mudar a disposição de quase todo mundo (para melhor ou pior) é estimular o
olfato. Se você é muito sensível, a vida no mundo real pode ser insuportável.
Tirar proveito do nariz para voltar ao momento presente é fácil. Acenda uma
vela perfumada e deixe a fragrância de baunilha, rosa ou amêndoa elevá-lo além
de sua percepção de estresse. Quando aromas aleatórios passam por você,
conecte-se a essa trilha cognitiva e dedique um tempo de qualidade ao esforço
de identificar o cheiro. Pontue-o em uma escala de um a dez com os extremos
representando prazer ou repugnância. Lembre-se de sentir a fisiologia que está
na base dos diferentes aromas. Deixe-os movê-lo para o aqui e agora.
Se você tem problema com o
olfato, acredito que, a menos que os circuitos tenham sido interrompidos de
modo permanente, é possível elevar sua sensibilidade. Quando você presta
atenção deliberadamente aos cheiros que o cercam, está enviando ao cérebro uma
mensagem dizendo que valoriza aquela conexão. Se quiser melhorar o olfato,
passe mais tempo sentindo cheiros diferentes e conversando com suas células!
Deixe-as saber que você deseja que elas aprimorem essa habilidade. Se estiver
disposto a mudar seu comportamento de maneira a passar mais tempo pensando
conscientemente sobre os cheiros que está sentindo, e estiver disposto a focar
a mente no ato de cheirar, as conexões neuronais serão reforçadas e se tornarão
em mais fortes.
Com relação à visão, há
basicamente duas maneiras de usar os olhos. Agora, por exemplo, olhe para a
paisagem à sua frente. O que você vê? O lado direito de sua mente registra o
panorama mais amplo. Enxerga a imagem como um todo, onde tudo é relativo.
Observa toda a amplitude sem se focar em nenhum detalhe. O lado esquerdo foca
imediatamente o contorno dos objetos individuais e delineia as entidades
específicas que compõem o panorama.
Quando me coloco sobre o topo
de uma montanha e deixo meus olhos relaxarem, o hemisfério direito absorve a
magnitude da paisagem em
aberto. Do ponto de vista fisiológico, sinto a majestade
daquela visão geral no fundo do meu ser, e sinto-me humilde diante da beleza
esplêndida do planeta. Posso recordar esse momento reconstruindo a visão ou
recordando o sentimento que ela provoca. O lado esquerdo da mente, contudo, é
completamente diferente. Ele foca a atenção nos tipos específicos de árvores,
nas cores do céu, e analisa os sons de diferentes aves. Discrimina os tipos de
nuvens, delineia os desenhos das árvores e registra a temperatura do ar.
Agora, por exemplo, faça uma
pausa na leitura. Vá em
frente. Relaxe a mente e expanda a percepção. O que você
ouve? Preste atenção e amplie a audição. Estou aqui sentada perto de uma
montanha, ao lado de um conservatório, e meus ouvidos captam o som de um riacho
que passa do lado de fora da janela. Quando foco a mente em sons distantes,
ouço fragmentos de música clássica produzida por crianças que praticam com seus
instrumentos. Focando a audição mais perto de mim, registro o ronco do
aquecedor, bem aqui na sala, e ele me aquece.
Ouvir música que você aprecia,
na ausência de análise cognitiva ou julgamento, é outra excelente maneira de
voltar ao aqui e agora. Deixe o som movê-lo não apenas emocional, mas
fisicamente. Deixe o corpo balançar e dançar ao ritmo da canção. Perca as
inibições e deixe o corpo ser levado pelo fluxo da música.
É claro, a ausência de som
pode ser igualmente bela. Adoro colocar os ouvidos sob a água na banheira e
criar um espaço de vácuo sonoro. Também foco os ruidoso do meu corpo, quando
ocorrem, e elogio minhas células por seu esforço contínuo. Descobri que minha
mente se distrai facilmente quando há muito estímulo auditivo, por isso sempre
trabalho, ou viajo, usando protetores auriculares. Acredito que impedir a
estimulação que sobrecarrega meu cérebro é minha responsabilidade, e protetores
auriculares têm sido verdadeiros defensores da minha sanidade em muitas
ocasiões.
Nosso maior e mais
diversificado órgão sensorial é a pele. Como o cérebro roda ao mesmo tempo
vários circuitos que pensam, experimentam emoções ou envolvem combinações
específicas de reatividade fisiológica, a pele é coberta por pequeninos
receptores capazes de detectar várias formas específicas de estímulo. Como
ocorre com os outros sentidos, somos todos únicos com relação á sensibilidade
ao recebermos um toque suave, à pressão, ao calor, ao frio, à vibração e à dor.
Alguns se adaptam mais depressa que outros. Embora muitos não passem muito
tempo pensando sobre as roupas depois de vestí-las, outros permanecem tão
sensíveis que têm a mente obcecada pelo pelo ou a textura das peças. Agradeço
sempre a minhas células por sua capacidade de adaptação ao estímulo. Imagine
como teríamos a mente sempre preocupada se não pudéssemos nos adaptar.
Vamos fazer mais uma
experiência. Interrompa novamente a leitura e, desta vez, feche os olhos e
pense sobre a informação que você está detectando pela pele. Qual é a
temperatura do ar? Qual é a textura de suas roupas? Suave, áspera, leve,
pesada? Alguma coisa o pressiona? Um travesseiro, ou animal de estimação
encostado em seu corpo? Pense em sua pele por um momento. Você consegue sentir
o relógio, ou os óculos sobre o nariz? E os cabelos caindo sobre os ombros?
Da perspectiva terapêutica,
talvez não haja nada mais íntimo que o toque, seja ele a ligação física com
outro ser humano, com um amigo peludo ou mesmo com as plantas de casa. Os
benefícios físicos de nutrir e ser nutrido por esse contato são
incomensuráveis. Tomar um banho e sentir a água correr por seu corpo é uma
excelente maneira de trazê-lo de volta ao momento presente. Sentir a pressão da
água sobre a pele, seja durante um banho de banheira ou na piscina, é uma
excelente forma de estímulo por pressão e temperatura. Permita a essas formas
de atividade o poder de trazê-lo de volta ao aqui e agora. Treine-se para
prestar mais atenção a quando seus diferentes circuitos são estimulados.
Enquanto isso, encoraje-os a funcionar.
A massagem corporal também é
ótima por várias razões. Ela não só alivia a tensão nos músculos, como também
aumenta a movimentação de fluidos no ambiente celular. O mundo interno do seu
corpo é o meio pelo qual as células obtém nutrição e eliminam seus dejetos.
Apóio com entusiasmo qualquer tipo de estímulo que eleve o padrão de vida que
elas têm.
Uma das minhas alternativas
favoritas de usar o toque para voltar ao aqui e agora é pelos pingos de chuva.
Caminhar na chuva é uma experiência multidimensional que me toca profundamente.
Gotas de água atingindo o meu rosto levam-me de maneira instantânea para a
beleza e a inocência do lado direito de minha mente enquanto me sinto envolvida
por um profundo sentimento de purificação. Sentir o calor do sol em meu rosto
conecta-me diretamente com uma parte de mim que se sente unificada com tudo que há. Adoro ficar na beira do oceano com os braços abertos, voando no vento. Recordando
os sons, cheiros, sabores, e como me senti por dentro, posso me levar de volta
ao nirvana em um instante.
Quanto mais atenção prestamos
aos detalhes de como as coisas parecem, soam, cheiram e são sentidas pela pele
e fisiologicamente no interior do corpo, mais fácil é para o cérebro recriar
qualquer momento. Substituir padrões indesejados de pensamento por imagens
vividas pode nos ajudar a desviar a consciência para a paz interior profunda.
Embora seja ótimo utilizar os sentidos para recriar uma experiência, acredito
que o verdadeiro poder na recriação experimental esteja na habilidade de
lembrar como sentimos a fisiologia por trás disso tudo.
Não posso encerrar esta seção
sobre o uso da estimulação sensorial para conduzir-nos de volta ao momento
presente sem mencionar os tópicos da energia dinâmica e da intuição. Aqueles
que têm hemisférios direitos muito sensíveis certamente entenderão o que estou
dizendo. Ao mesmo tempo, entendo que, para muitos, se o lado esquerdo não
consegue cheirar, saborear, ouvir, ver ou tocar, é inevitável reagir com
ceticismo à existência de determinado objeto. O lado direito do cérebro é capaz
de detectar energia além das limitações do lado esquerdo devido à maneira como
ele é desenhado. Espero que seu nível de desconforto com relação a coisas como
energia dinâmica e intuição tenha diminuído na medida em que você aumentou sua
compreensão sobre as diferenças fundamentais na maneira pela qual os dois
hemisférios colaboram para criar uma percepção única de realidade.
Lembrar que somos seres de
energia projetados para perceber e traduzir energia em código neural pode
ajudar o leitor a ter mais consciência da própria dinâmica energética e
intuição. Você consegue sentir o clima ao entrar em um ambiente? Às vezes
estranha o fato de se sentir contente num minuto, e cheio de medo no instante
seguinte? O hemisfério direito é criado para perceber e decifrar a sutil
dinâmica de energia que percebemos de maneira intuitiva.
Desde o derrame, direciono
minha vida quase inteiramente para essa atenção focada, a fim de descobrir como
pessoas, lugares e coisas me fazem sentir em nível energético. Porém, para
ouvir a sabedoria intuitiva, do lado direito de meu cérebro, tenho de reduzir
conscientemente a velocidade do lado esquerdo da mente, evitando assim me
deixar levar pela correnteza de meu falastrão contador de histórias. Intuitivamente,
não questiono porque me sinto atraída em nível subconsciente por algumas
pessoas e situações, mas rejeito outras. Apenas ouço meu corpo e confio em meus
instintos.
Ao mesmo tempo, o hemisfério
direito honra o fenômeno de causa e efeito. Em um mundo de energia em que tudo
influencia tudo, parece ingênuo que eu desconsidere as percepções e o
conhecimento do lado direito de minha mente. Se estou atirando com arco e
flecha, por exemplo, não foco apenas o centro do alvo, mas traço o caminho
entre a ponta da flecha e o centro do alvo. Visualizo a perfeita quantidade de
força exercida por meus músculos quando eles impulsionam a flecha, e foco a
mente na fluidez do processo, não só na finalidade do produto final. Descubro
que, quando minha percepção se expande e imagino a experiência, minha precisão
aumenta. Se você está envolvido com alguma prática esportiva, tem o poder de
escolher como quer perceber-se em relação ao alvo ou objetivo. Você pode se ver
como uma entidade separada – posiciona-se como ponto A e seu alvo é o ponto Z –
ou pode se ver unificado ao alvo e no
fluxo com todos os átomos e moléculas no espaço entre um extremo e outro.
O hemisfério direito percebe
a imagem maior e reconhece que tudo que nos cerca, envolve, cobre e preenche é
feito de partículas de energia, que são tecidas numa trama universal. Como tudo
é conectado, há um relacionamento íntimo entre o espaço atômico em torno e
dentro de mim, e o espaço atômico em torno e dentro de você – não importa onde
estamos. Em nível energético, se penso em você ou oro por você, envio boas vibrações
em sua direção e estou, de modo consciente, enviando-lhe minha energia com
intenção curativa. Se medito com você ou imponho minhas mãos sobre sua ferida,
estou direcionando deliberadamente a energia do meu ser para ajudar em seu
processo de cura. Como o Reiki, o Feng Shui, a acupuntura ou a oração (só para
mencionar alguns exemplos) funcionam ainda e é um mistério para os médicos.
Isso acontece basicamente porque o hemisfério esquerdo e a ciência ainda não
captaram o que entendemos ser verdade sobre as funções do hemisfério direito.
Porém, acredito que o lado direito da mente, é perfeitamente claro sobre como percebe
com a intuição e interpreta a dinâmica da energia.
Deixando de lado o assunto
dos sistemas sensoriais, também podemos usar as habilidades do sistema motor
para alterar a perspectiva para o aqui e agora. Relaxar propositalmente os
músculos que você costuma manter tensos pode ajudá-lo a liberar energia
represada e promover bem-estar. Estou sempre verificando a tensão em minha
testa e, de maneira inevitável, se não consigo dormir à noite, relaxo a
mandíbula e adormeço em
seguida. Pensar no que ocorre com seus músculos é uma
excelente maneira de trazer a mente para o presente. Comprimi-los e relaxá-los de
forma sistemática pode ajudá-lo a voltar ao aqui e agora.
Muitas pessoas utilizam
movimento e exercício para controlar a mente. Ioga, técnica Feldenkrais e tai
chi são ferramentas fabulosas para desenvolvimento pessoal, relaxamento e
crescimento. Esportes que não envolvem competição também são excelentes para
levá-lo de volta ao corpo e afastá-lo do hemisfério esquerdo. Caminhar na
natureza, cantar, criar e tocar música ou mergulhar nas artes pode alterar
facilmente sua perspectiva, trazendo-o de volta ao momento presente.
Outro caminho para mudar o
foco e afastá-lo das trilhas envolventes do lado esquerdo da mente cognitiva é
o uso proposital da voz para interromper esses padrões de pensamento que
consideramos preocupantes ou que nos distraem. Utilizar padrões repetitivos de
som como um mantra (que literalmente significa “lugar para descansar a mente”)
é muito útil. Respirando profundamente e repetindo a frase Neste momento eu recupero minha alegria, ou Neste momento sou perfeito, inteiro e belo, ou Sou um inocente e pacífico filho do Universo, conduzo minha
consciência de volta ao hemisfério direito.
Ouvir a meditação verbal que
me guia para um padrão de pensamento com emoção e fisiologia é outra excelente
opção para desviar minha mente das trilhas indesejadas. A prece, pela qual
usamos a mente para substituir intencionalmente padrões de pensamento
indesejados por outros escolhidos, é outra forma de guiarmos a mente de modo
consciente para longe da incessante repetição verbal e para um lugar mais
pacífico.
Adoro usar a voz em sintonia
com o som de recipientes variados. Existem alguns bem grandes de delicado
cristal de quartzo. Quando tocados esses recipientes ressoam de maneira tão
poderosa que posso sentir a vibração até nos meus ossos. Minhas preocupações
não têm a menor chance de ocupar a mente quando esses sons são produzidos.
Também utilizo o Angel Cards1
(Baralho dos Anjos) várias vezes por dia para me ajudar a permanecer focada no
que acredito ser importante na vida. O trabalho original Angel Cards vem com um
conjuntos de cartas de tamanhos variados com uma única palavra escrita em cada
uma delas. Todas as manhãs, quando me levanto, convido um anjo a entrar em
minha vida e tiro uma carta. Então, foco minha atenção naquele anjo específico
durante todo o dia. Se me sinto estressada ou tenho de fazer um telefonema
importante, tiro outra carta do baralho e invoco outro anjo para me ajudar a
mudar a minha disposição mental. Estou sempre tentando me manter aberta ao que
o Universo vai me trazer. Uso o Angel Cards para me conduzir a um estado de generosidade
de espírito, uma vez que realmente aprecio o que atraio quando estou aberta.
Alguns anjos são: Entusiasmo, Abundândia, Educação, Clareza, Integridade,
Diversão, Liberdade, Responsabilide, Harmonia, Graça e Nascimento. Extrair as
cartas dos anjos é uma das ferramentas mais simples e eficientes que encontrei
para me ajudar a desviar a mente do julgamento do hemisfério esquerdo.
Se tivesse de escolher uma
palavra de efeito (ação) para o lado direito de meu cérebro, escolheria compaixão. Sugiro que você se pergunte:
o que significa ter compaixão? Em que circunstâncias se vê inclinado a sentir
isso e como percebe a compaixão no interior de seu corpo?
Em geral, muitos têm
compaixão por aqueles que percebem como seus semelhantes. Quanto menos estamos
ligados à inclinação do ego para a superioridade, mais generoso de espírito
podemos ser com os outros. Quando nos comportamos com compaixão, consideramos
as circunstâncias dos outros com amor, em vez de utilizarmos o julgamento.
Vemos um sem-teto ou um psicótico e nos aproximamos com o coração aberto, em
vez de sentirmos medo, repulsa ou agressividade. Pense na última vez em que
você se aproximou de alguém ou de alguma coisa com compaixão genuína. Que
sensação você experimentou em seu corpo? Ter compaixão é se mover para o
hemisfério direito do cérebro, para o aqui e agora, com o coração aberto e a
disponibilidade para apoiar.
Se tivesse que escolher uma
palavra para descrever o que experimento na essência do lado direito de minha
mente, escolheria alegria. O
hemisfério direito fica aufórico por estar vivo! Sinto-me fascinada quando
considero que sou simultaneamente capaz de estar unificada com o Universo e manter uma identidade individual com a
qual me movimento pelo mundo e manifesto progresso.
Se você perdeu a capacidade
de sentir alegria, esteja certo de que o circuito ainda está aí. Ele está
apenas inibido por outro circuito mais ansioso e/ou temeroso. Como eu gostaria
que você pudesse se desfazer de sua bagagem emocional, como eu perdi a minha, e
retornar a seu estado natural de alegria! O segredo para conectar-se a um
desses estados pacíficos é a disposição para interromper as trilhas de
pensamento cognitivo, a preocupação e quaisquer idéias que o distraiam da
experiência sensorial e cinestésica de estar no aqui e agora. Porém, mais
importante é que nosso desejo por paz seja mais forte do que nossa ligação com
a infelicidade, com o ego e com a necessidade de estar certo. Adoro aquele
velho ditado: “Você quer ter razão, ou quer ser feliz?”
Pessoalmente, gosto muito da
sensação da felicidade em meu corpo e, portanto, escolho me conectar com
regularidade a esse circuito. Sempre me perguntei: Se isso é uma escolha, então por que alguém escolheria outra coisa que
não a felicidade? Posso apenas especular, mas suponho que muitos apenas não
percebam que temos a possibilidade de escolher e, portanto, não exercitam essa
capacidade de escolha. Antes do derrame, eu pensava ser um produto do meu
cérebro e não tinha idéia de que podia opinar sobre como respondia às emoções
que surgiam em mim. Em
nível intelectual, percebi que podia monitorar e mudar meus pensamentos
cognitivos, mas nunca imaginei que tivesse alguma influência sobre como percebia
minhas emoções. Ninguém jamais me havia dito que são necessários apenas 90
segundos para a bioquímica capturar-me e, depois, me libertar. Que enorme
diferença essa consciência tem feito em como conduzo minha vida.
Outra razão pela qual podemos
não escolher a felicidade é que, ao sentir emoções intensas e negativas, como
raiva, inveja ou frustração, estamos rodando ativamente programas complexos no
cérebro que sentimos como familiares e que nos fazem sentir fortes e poderosos.
Conheço pessoas que escolhem exercitar seus circuitos de raiva com regularidade
apenas porque isso as ajuda a lembrar como é se sentirem elas mesmas.
Tenho a mesma facilidade para
acionar o circuito da felicidade. De fato, da perspectiva biológica, a
felicidade é o estado natural de ser do lado direito de minha mente. Como tal,
esse circuito está sempre ativo e disponível para meu uso. Meu circuito da
raiva, por outro lado, nem sempre está ativo, mas pode ser disparado quando sinto
algum tipo de ameaça. Assim que a resposta fisiológica passa pela corrente
sanguínea, posso retornar minha alegria.
Em última análise, tudo que
experimentamos é um produto de nossas células e dos respectivos circuitos.
Quando você se coloca em sintonia com como sente cada um dos diferentes
circuitos em seu corpo, pode escolher como quer ser no mundo. Pessoalmente,
tenho uma espécie de alergia às sensações de medo e/ou ansiedade. Quando essas
emoções me inundam, sinto tamanho desconforto que gostaria de poder abandonar
meu corpo. Por no gostar da sensação fisiológica gerada por essas emoções,
tenho a tendência de evitar conectar-me a esses circuitos com regularidade.
Minha definição favorita de medo
é “expectativas falsas que parecem reais”, e, quando me permito lembrar que
todos os meus pensamentos são apenas fugaz fisiologia, sou menos afetada quando
meu contador de histórias fica desordenado e meu circuito é desencadeado. Ao
mesmo tempo, quando lembro que estou unificada
com o Universo, o conceito de medo perde seu poder. Para me proteger de uma
resposta de raiva ou medo, assumo a responsabilidade por quais circuitos
exercito e estimulo. Numa tentativa de reduzir o poder de minha resposta de
medo/raiva, escolho intencionalmente a não assistir a filmes de terror ou me
envolver com pessoas cujos circuitos de raiva sejam desencadeados com
facilidade. Faço escolhas que causam impacto direto nos meus circuitos. Como
gosto de ser alegre, prefiro me relacionar com pessoas que valorizem minha
alegria.
Como mencionei antes, a dor
física é um fenômeno fisiológico especificamente projetado para alertar o
cérebro para a ocorrência de dano a algum tecido do corpo. É importante
perceber que somos capazes de sentir dor física sem nos conectarmos ao circuito
emocional do sofrimento. Lembro como as crianças pequenas são corajosas quando
estão gravemente enfermas. Os pais podem percorrer a trilha emocional do medo e
do sofrimento, enquanto a criança parece se adaptar à doença sem o mesmo drama
emocional negativo. Experimentar a dor pode não ser uma escolha, mas sofrer é
uma decisão cognitiva. Quando uma criança adoece, é sempre mais difícil para
ela lidar com o sofrimento dos pais do que suportar a enfermidade. ...
[...]
Jill Bolte Taylor
“A cientista que curou seu
próprio cérebro” – o relato da neurocientista que viu a morte de perto,
reprogramou sua mente e ensina o que você também pode fazer.
São Paulo – Ediouro – 2008
Págs. 169-187

