sábado, 24 de novembro de 2012

ENCONTRE SUA PAZ INTERIOR PROFUNDA

Neurociência

ENCONTRE SUA PAZ INTERIOR PROFUNDA



ENCONTRE SUA PAZ INTERIOR PROFUNDA

Esse derrame de sabedoria me deu o valioso presente de saber que a paz interior profunda está a um pensamento (ou sentimento) de distância. Experimentar a paz não quer dizer que a vida é sempre perfeita. Significa que você é capaz de chegar ao estado mental de tranqüilidade em meio ao caos normal de uma vida frenética. Percebo que para muitos a distância entre a vida pensante e o coração piedoso às vezes parece ser quilométrica. Algumas pessoas percorrem essa distância com um comando. Outras estão tão comprometidas com a falta de esperança, a raiva e a infelicidade que o mero conceito de um coração pacífico parece estranho e fictício.
Com base em minha experiência de perder o lado esquerdo da mente, acredito inteiramente que o sentimento de paz interior está localizado no circuito neuronal do lado direito do cérebro. Esse circuito está sempre ativo e disponível para nos ligarmos a ele. O sentimento de paz é algo que acontece no momento presente. Não é algo que trazemos conosco do passado ou um projeto para o futuro. O primeiro passo para experimentar a paz interior é a disponibilidade para estar presente no aqui, no agora.
Quanto mais consciência temos de quando percorremos a trilha de paz interior profunda, mais fácil é escolhermos com consciência estabelecer ligação com esse circuito. Alguns têm dificuldade para reconhecer quando estão percorrendo esse circuito só porque têm a mente distraída por outros pensamentos. Isso faz sentido, uma vez que a nossa sociedade (ocidental) honra e recompensa as habilidade de “fazer” do lado esquerdo do cérebro muito mais do que as habilidades de “ser” do hemisfério direito. Assim, se você tem dificuldade para acessar a consciência do circuito do lado direito de sua mente, deve ser porque fez um trabalho estupendo aprendendo exatamente o que lhe ensinaram enquanto você crescia. Congratule suas células pelo sucesso, e, como diz meu bom amigo, Dr. Kat domingo: “Esclarecimento não é um processo de aprendizado; é um processo de desaprendizado.”
Como os dois hemisférios trabalham juntos para gerar nossa percepção de realidade em uma base momento a momento, exercitamos o lado direito da mente o tempo todo. Assim que você aprender a reconhecer os sentimentos sutis (e a fisiologia) que percorrem seu corpo quando está conectado ao circuito do momento presente, pode então se treinar para reativar esse circuito sob demanda. Vou dividir com você uma variedade de maneiras pelas quais eu me lembro de voltar à consciência e à personalidade do lado direito, pacífico e presente, de meu cérebro.
A primeira coisa que faço para experimentar paz interior é lembrar que sou parte de uma estrutura maior – um eterno fluxo de energia e moléculas do qual não posso ser separada. Saber que faço parte do fluxo cósmico me faz sentir segura e experimentar minha vida como o paraíso na Terra. Como posso me sentir vulnerável quando não é possível me separar do todo maior? O lado esquerdo de minha mente pensa em mim como um indivíduo frágil capaz de perder a vida. O lado direito percebe que a essência do meu ser tem vida eterna. Embora eu possa perder essas células e minha habilidade de perceber esse mundo tridimensional, minha energia vai simplesmente ser absorvida de volta para o tranqüilo mar de euforia. Saber disso me faz sentir grata pelo tempo que tenho aqui e me sinto entusiasmada e comprometida com o bem-estar das células que constituem minha vida.
Para voltar ao momento presente, devemos reduzir com consciência a velocidade da mente. Para isso, primeiro afirme que você não está com pressa. O lado esquerdo de sua mente pode estar apressando você, pensando, deliberando e analisando, mas o lado direito da mente é muito moderado.
Agora, além de ler este livro, o que você está fazendo? Está percorrendo alguma trilha cognitiva além de fazer sua leitura? Está olhando para o relógio ou sentado em um lugar movimentado? Tome consciência de seus pensamentos externos, agradeça a eles pelo serviço, e peça que se calem por algum tempo. Não estamos pedindo a eles que partam; é só para pressionar o botão pausa por alguns poucos minutos. Fique tranqüilo; eles não irão a lugar nenhum. Quando estiver pronto para se religar ao seu contador de histórias, ele se conectará novamente sem demora.
Quando estamos ligados a pensamentos cognitivos e percorrendo trilhas mentais, do ponto de vista técnico não estamos no momento presente. Podemos estar pensando sobre algo que já aconteceu ou sobre alguma coisa que ainda não aconteceu, e, apesar do nosso corpo estar aqui, agora, a mente está e outro lugar. Para voltar à experiência do momento presente, permita que sua consciência se desvie daquelas trilhas cognitivas que o distraem do que está acontecendo agora.
Pense em sua respiração, se quiser. Como está lendo este livro, é provável que esteja sentado numa posição relaxada. Inspire profundamente. Vá em frente, é bom. Leve o ar ao peito e veja sua barriga inchar. O que está acontecendo no interior de seu corpo? Ele está em posição confortável? Seu estômago está calmo ou agitado? Você está com fome? Tem a bexiga cheia? A boca está seca? Suas células parecem cansadas ou renovadas? Como está sua nuca? Faça uma pausa de todos os pensamentos que possam distraí-lo e observe sua vida por um momento. Onde você está sentado? Como é a iluminação? Como você se sente em relação ao lugar onde você está sentado? Inspire profundamente mais uma vez. E de novo. Relaxe dentro de seu corpo, suavize esse momento; você é um ser humano vivo e próspero! Deixe esse sentimento de celebração e gratidão inundar sua consciência.

Para me ajudar a encontrar o caminho de volta para o lado direito pacifico de minha mente, olho para como meu corpo organiza informação em sistemas e lida com ela de acordo com circuitos já estabelecidos. Descubro que prestar atenção à informação sensorial no momento em que ela penetra meu corpo é uma ferramenta muito útil. Porém, não foco somente informação sensorial, mas me conecto conscientemente à experiência fisiológica na base desse circuito sensorial. Pergunto a mim mesma repetidamente: Qual é a sensação de estar aqui fazendo isso?
Comer, beber e sentir alegria são coisas que acontecem no presente momento. A boca contém vários tipos de receptores sensoriais que nos permitem não só sentir diferentes sabores, mas perceber texturas únicas e temperaturas variadas. Tente observar com mais atenção como é diferente o sabor dos alimentos. Preste atenção à textura de comidas distintas e qual é a sensação de tê-las na boca. Que alimentos você classificaria como divertidos, e por quê? Adoro perseguir aquelas pequeninas bolas de gelatina no sagu. Espaguete também é uma excelente textura para brincar. Porém, o que considero mais divertido em matéria de comida é extrair o interior de ervilhas congeladas e esmagar purê de batatas por entre os dentes. Sei que sua mãe deve ter expurgado esses comportamentos do seu repertório quando você ainda era pequeno, mas na privacidade da sua casa não há nada demais em se divertir. É realmente difícil ser tomada por pensamentos estressantes quando você está se divertindo com comida!
Além dos atributos físicos do consumo de alimentos, é de vital importância considerarmos o impacto fisiológico que o alimento tem sobre o corpo e mente. Saindo do foco do valor nutricional, tente prestar atenção a como determinados alimentos fazem seu corpo se sentir. Açúcar e cafeína me ,  agitada minutos depois do consumo. É uma sensação que não aprecio, por isso tento evita-los. Comer coisas que contém triptofano (leite, banana e peru) eleva com rapidez os níveis de serotonina em meu cérebro, tornando-me mais afável. Escolho deliberadamente esses alimentos quando quero me concentrar e me sentir calma.
Em geral, carboidratos transformam-se imediatamente em açúcar e fazem meu corpo se sentir letárgico, e minha mente, espástica. Também não gosto de como os carboidratos provocam minha resposta açúcar/insulina e depois me deixam com forte desejo de consumir mais desses alimentos. Gosto de como as proteínas me dão energia sem estimular altos e baixos emocionais. Você pode ter respostas diferentes a esses alimentos, e isso é comum. Uma dieta balanceada é importante, mas prestar atenção a como você queima calorias e como essas comidas fazem você se sentir por dentro deve ser uma prioridade.
Uma das maneiras mais fáceis de mudar a disposição de quase todo mundo (para melhor ou pior) é estimular o olfato. Se você é muito sensível, a vida no mundo real pode ser insuportável. Tirar proveito do nariz para voltar ao momento presente é fácil. Acenda uma vela perfumada e deixe a fragrância de baunilha, rosa ou amêndoa elevá-lo além de sua percepção de estresse. Quando aromas aleatórios passam por você, conecte-se a essa trilha cognitiva e dedique um tempo de qualidade ao esforço de identificar o cheiro. Pontue-o em uma escala de um a dez com os extremos representando prazer ou repugnância. Lembre-se de sentir a fisiologia que está na base dos diferentes aromas. Deixe-os movê-lo para o aqui e agora.
Se você tem problema com o olfato, acredito que, a menos que os circuitos tenham sido interrompidos de modo permanente, é possível elevar sua sensibilidade. Quando você presta atenção deliberadamente aos cheiros que o cercam, está enviando ao cérebro uma mensagem dizendo que valoriza aquela conexão. Se quiser melhorar o olfato, passe mais tempo sentindo cheiros diferentes e conversando com suas células! Deixe-as saber que você deseja que elas aprimorem essa habilidade. Se estiver disposto a mudar seu comportamento de maneira a passar mais tempo pensando conscientemente sobre os cheiros que está sentindo, e estiver disposto a focar a mente no ato de cheirar, as conexões neuronais serão reforçadas e se tornarão em mais fortes.
Com relação à visão, há basicamente duas maneiras de usar os olhos. Agora, por exemplo, olhe para a paisagem à sua frente. O que você vê? O lado direito de sua mente registra o panorama mais amplo. Enxerga a imagem como um todo, onde tudo é relativo. Observa toda a amplitude sem se focar em nenhum detalhe. O lado esquerdo foca imediatamente o contorno dos objetos individuais e delineia as entidades específicas que compõem o panorama.
Quando me coloco sobre o topo de uma montanha e deixo meus olhos relaxarem, o hemisfério direito absorve a magnitude da paisagem em aberto. Do ponto de vista fisiológico, sinto a majestade daquela visão geral no fundo do meu ser, e sinto-me humilde diante da beleza esplêndida do planeta. Posso recordar esse momento reconstruindo a visão ou recordando o sentimento que ela provoca. O lado esquerdo da mente, contudo, é completamente diferente. Ele foca a atenção nos tipos específicos de árvores, nas cores do céu, e analisa os sons de diferentes aves. Discrimina os tipos de nuvens, delineia os desenhos das árvores e registra a temperatura do ar.
Agora, por exemplo, faça uma pausa na leitura. Vá em frente. Relaxe a mente e expanda a percepção. O que você ouve? Preste atenção e amplie a audição. Estou aqui sentada perto de uma montanha, ao lado de um conservatório, e meus ouvidos captam o som de um riacho que passa do lado de fora da janela. Quando foco a mente em sons distantes, ouço fragmentos de música clássica produzida por crianças que praticam com seus instrumentos. Focando a audição mais perto de mim, registro o ronco do aquecedor, bem aqui na sala, e ele me aquece.

Ouvir música que você aprecia, na ausência de análise cognitiva ou julgamento, é outra excelente maneira de voltar ao aqui e agora. Deixe o som movê-lo não apenas emocional, mas fisicamente. Deixe o corpo balançar e dançar ao ritmo da canção. Perca as inibições e deixe o corpo ser levado pelo fluxo da música.
É claro, a ausência de som pode ser igualmente bela. Adoro colocar os ouvidos sob a água na banheira e criar um espaço de vácuo sonoro. Também foco os ruidoso do meu corpo, quando ocorrem, e elogio minhas células por seu esforço contínuo. Descobri que minha mente se distrai facilmente quando há muito estímulo auditivo, por isso sempre trabalho, ou viajo, usando protetores auriculares. Acredito que impedir a estimulação que sobrecarrega meu cérebro é minha responsabilidade, e protetores auriculares têm sido verdadeiros defensores da minha sanidade em muitas ocasiões.
Nosso maior e mais diversificado órgão sensorial é a pele. Como o cérebro roda ao mesmo tempo vários circuitos que pensam, experimentam emoções ou envolvem combinações específicas de reatividade fisiológica, a pele é coberta por pequeninos receptores capazes de detectar várias formas específicas de estímulo. Como ocorre com os outros sentidos, somos todos únicos com relação á sensibilidade ao recebermos um toque suave, à pressão, ao calor, ao frio, à vibração e à dor. Alguns se adaptam mais depressa que outros. Embora muitos não passem muito tempo pensando sobre as roupas depois de vestí-las, outros permanecem tão sensíveis que têm a mente obcecada pelo pelo ou a textura das peças. Agradeço sempre a minhas células por sua capacidade de adaptação ao estímulo. Imagine como teríamos a mente sempre preocupada se não pudéssemos nos adaptar.
Vamos fazer mais uma experiência. Interrompa novamente a leitura e, desta vez, feche os olhos e pense sobre a informação que você está detectando pela pele. Qual é a temperatura do ar? Qual é a textura de suas roupas? Suave, áspera, leve, pesada? Alguma coisa o pressiona? Um travesseiro, ou animal de estimação encostado em seu corpo? Pense em sua pele por um momento. Você consegue sentir o relógio, ou os óculos sobre o nariz? E os cabelos caindo sobre os ombros?
Da perspectiva terapêutica, talvez não haja nada mais íntimo que o toque, seja ele a ligação física com outro ser humano, com um amigo peludo ou mesmo com as plantas de casa. Os benefícios físicos de nutrir e ser nutrido por esse contato são incomensuráveis. Tomar um banho e sentir a água correr por seu corpo é uma excelente maneira de trazê-lo de volta ao momento presente. Sentir a pressão da água sobre a pele, seja durante um banho de banheira ou na piscina, é uma excelente forma de estímulo por pressão e temperatura. Permita a essas formas de atividade o poder de trazê-lo de volta ao aqui e agora. Treine-se para prestar mais atenção a quando seus diferentes circuitos são estimulados. Enquanto isso, encoraje-os a funcionar.
A massagem corporal também é ótima por várias razões. Ela não só alivia a tensão nos músculos, como também aumenta a movimentação de fluidos no ambiente celular. O mundo interno do seu corpo é o meio pelo qual as células obtém nutrição e eliminam seus dejetos. Apóio com entusiasmo qualquer tipo de estímulo que eleve o padrão de vida que elas têm.
Uma das minhas alternativas favoritas de usar o toque para voltar ao aqui e agora é pelos pingos de chuva. Caminhar na chuva é uma experiência multidimensional que me toca profundamente. Gotas de água atingindo o meu rosto levam-me de maneira instantânea para a beleza e a inocência do lado direito de minha mente enquanto me sinto envolvida por um profundo sentimento de purificação. Sentir o calor do sol em meu rosto conecta-me diretamente com uma parte de mim que se sente unificada com tudo que há. Adoro ficar na beira do oceano com  os braços abertos, voando no vento. Recordando os sons, cheiros, sabores, e como me senti por dentro, posso me levar de volta ao nirvana em um instante.
Quanto mais atenção prestamos aos detalhes de como as coisas parecem, soam, cheiram e são sentidas pela pele e fisiologicamente no interior do corpo, mais fácil é para o cérebro recriar qualquer momento. Substituir padrões indesejados de pensamento por imagens vividas pode nos ajudar a desviar a consciência para a paz interior profunda. Embora seja ótimo utilizar os sentidos para recriar uma experiência, acredito que o verdadeiro poder na recriação experimental esteja na habilidade de lembrar como sentimos a fisiologia por trás disso tudo.

Não posso encerrar esta seção sobre o uso da estimulação sensorial para conduzir-nos de volta ao momento presente sem mencionar os tópicos da energia dinâmica e da intuição. Aqueles que têm hemisférios direitos muito sensíveis certamente entenderão o que estou dizendo. Ao mesmo tempo, entendo que, para muitos, se o lado esquerdo não consegue cheirar, saborear, ouvir, ver ou tocar, é inevitável reagir com ceticismo à existência de determinado objeto. O lado direito do cérebro é capaz de detectar energia além das limitações do lado esquerdo devido à maneira como ele é desenhado. Espero que seu nível de desconforto com relação a coisas como energia dinâmica e intuição tenha diminuído na medida em que você aumentou sua compreensão sobre as diferenças fundamentais na maneira pela qual os dois hemisférios colaboram para criar uma percepção única de realidade.
Lembrar que somos seres de energia projetados para perceber e traduzir energia em código neural pode ajudar o leitor a ter mais consciência da própria dinâmica energética e intuição. Você consegue sentir o clima ao entrar em um ambiente? Às vezes estranha o fato de se sentir contente num minuto, e cheio de medo no instante seguinte? O hemisfério direito é criado para perceber e decifrar a sutil dinâmica de energia que percebemos de maneira intuitiva.
Desde o derrame, direciono minha vida quase inteiramente para essa atenção focada, a fim de descobrir como pessoas, lugares e coisas me fazem sentir em nível energético. Porém, para ouvir a sabedoria intuitiva, do lado direito de meu cérebro, tenho de reduzir conscientemente a velocidade do lado esquerdo da mente, evitando assim me deixar levar pela correnteza de meu falastrão contador de histórias. Intuitivamente, não questiono porque me sinto atraída em nível subconsciente por algumas pessoas e situações, mas rejeito outras. Apenas ouço meu corpo e confio em meus instintos.
Ao mesmo tempo, o hemisfério direito honra o fenômeno de causa e efeito. Em um mundo de energia em que tudo influencia tudo, parece ingênuo que eu desconsidere as percepções e o conhecimento do lado direito de minha mente. Se estou atirando com arco e flecha, por exemplo, não foco apenas o centro do alvo, mas traço o caminho entre a ponta da flecha e o centro do alvo. Visualizo a perfeita quantidade de força exercida por meus músculos quando eles impulsionam a flecha, e foco a mente na fluidez do processo, não só na finalidade do produto final. Descubro que, quando minha percepção se expande e imagino a experiência, minha precisão aumenta. Se você está envolvido com alguma prática esportiva, tem o poder de escolher como quer perceber-se em relação ao alvo ou objetivo. Você pode se ver como uma entidade separada – posiciona-se como ponto A e seu alvo é o ponto Z – ou pode se ver unificado ao alvo e no fluxo com todos os átomos e moléculas no espaço entre um extremo e outro.
O hemisfério direito percebe a imagem maior e reconhece que tudo que nos cerca, envolve, cobre e preenche é feito de partículas de energia, que são tecidas numa trama universal. Como tudo é conectado, há um relacionamento íntimo entre o espaço atômico em torno e dentro de mim, e o espaço atômico em torno e dentro de você – não importa onde estamos. Em nível energético, se penso em você ou oro por você, envio boas vibrações em sua direção e estou, de modo consciente, enviando-lhe minha energia com intenção curativa. Se medito com você ou imponho minhas mãos sobre sua ferida, estou direcionando deliberadamente a energia do meu ser para ajudar em seu processo de cura. Como o Reiki, o Feng Shui, a acupuntura ou a oração (só para mencionar alguns exemplos) funcionam ainda e é um mistério para os médicos. Isso acontece basicamente porque o hemisfério esquerdo e a ciência ainda não captaram o que entendemos ser verdade sobre as funções do hemisfério direito. Porém, acredito que o lado direito da mente, é perfeitamente claro sobre como percebe com a intuição e interpreta a dinâmica da energia.
Deixando de lado o assunto dos sistemas sensoriais, também podemos usar as habilidades do sistema motor para alterar a perspectiva para o aqui e agora. Relaxar propositalmente os músculos que você costuma manter tensos pode ajudá-lo a liberar energia represada e promover bem-estar. Estou sempre verificando a tensão em minha testa e, de maneira inevitável, se não consigo dormir à noite, relaxo a mandíbula e adormeço em seguida. Pensar no que ocorre com seus músculos é uma excelente maneira de trazer a mente para o presente. Comprimi-los e relaxá-los de forma sistemática pode ajudá-lo a voltar ao aqui e agora.
Muitas pessoas utilizam movimento e exercício para controlar a mente. Ioga, técnica Feldenkrais e tai chi são ferramentas fabulosas para desenvolvimento pessoal, relaxamento e crescimento. Esportes que não envolvem competição também são excelentes para levá-lo de volta ao corpo e afastá-lo do hemisfério esquerdo. Caminhar na natureza, cantar, criar e tocar música ou mergulhar nas artes pode alterar facilmente sua perspectiva, trazendo-o de volta ao momento presente.
Outro caminho para mudar o foco e afastá-lo das trilhas envolventes do lado esquerdo da mente cognitiva é o uso proposital da voz para interromper esses padrões de pensamento que consideramos preocupantes ou que nos distraem. Utilizar padrões repetitivos de som como um mantra (que literalmente significa “lugar para descansar a mente”) é muito útil. Respirando profundamente e repetindo a frase Neste momento eu recupero minha alegria, ou Neste momento sou perfeito, inteiro e belo, ou Sou um inocente e pacífico filho do Universo, conduzo minha consciência de volta ao hemisfério direito.
Ouvir a meditação verbal que me guia para um padrão de pensamento com emoção e fisiologia é outra excelente opção para desviar minha mente das trilhas indesejadas. A prece, pela qual usamos a mente para substituir intencionalmente padrões de pensamento indesejados por outros escolhidos, é outra forma de guiarmos a mente de modo consciente para longe da incessante repetição verbal e para um lugar mais pacífico.
Adoro usar a voz em sintonia com o som de recipientes variados. Existem alguns bem grandes de delicado cristal de quartzo. Quando tocados esses recipientes ressoam de maneira tão poderosa que posso sentir a vibração até nos meus ossos. Minhas preocupações não têm a menor chance de ocupar a mente quando esses sons são produzidos.
Também utilizo o Angel Cards1 (Baralho dos Anjos) várias vezes por dia para me ajudar a permanecer focada no que acredito ser importante na vida. O trabalho original Angel Cards vem com um conjuntos de cartas de tamanhos variados com uma única palavra escrita em cada uma delas. Todas as manhãs, quando me levanto, convido um anjo a entrar em minha vida e tiro uma carta. Então, foco minha atenção naquele anjo específico durante todo o dia. Se me sinto estressada ou tenho de fazer um telefonema importante, tiro outra carta do baralho e invoco outro anjo para me ajudar a mudar a minha disposição mental. Estou sempre tentando me manter aberta ao que o Universo vai me trazer. Uso o Angel Cards para me conduzir a um estado de generosidade de espírito, uma vez que realmente aprecio o que atraio quando estou aberta. Alguns anjos são: Entusiasmo, Abundândia, Educação, Clareza, Integridade, Diversão, Liberdade, Responsabilide, Harmonia, Graça e Nascimento. Extrair as cartas dos anjos é uma das ferramentas mais simples e eficientes que encontrei para me ajudar a desviar a mente do julgamento do hemisfério esquerdo.
Se tivesse de escolher uma palavra de efeito (ação) para o lado direito de meu cérebro, escolheria compaixão. Sugiro que você se pergunte: o que significa ter compaixão? Em que circunstâncias se vê inclinado a sentir isso e como percebe a compaixão no interior de seu corpo?
Em geral, muitos têm compaixão por aqueles que percebem como seus semelhantes. Quanto menos estamos ligados à inclinação do ego para a superioridade, mais generoso de espírito podemos ser com os outros. Quando nos comportamos com compaixão, consideramos as circunstâncias dos outros com amor, em vez de utilizarmos o julgamento. Vemos um sem-teto ou um psicótico e nos aproximamos com o coração aberto, em vez de sentirmos medo, repulsa ou agressividade. Pense na última vez em que você se aproximou de alguém ou de alguma coisa com compaixão genuína. Que sensação você experimentou em seu corpo? Ter compaixão é se mover para o hemisfério direito do cérebro, para o aqui e agora, com o coração aberto e a disponibilidade para apoiar.
Se tivesse que escolher uma palavra para descrever o que experimento na essência do lado direito de minha mente, escolheria alegria. O hemisfério direito fica aufórico por estar vivo! Sinto-me fascinada quando considero que sou simultaneamente capaz de estar unificada com o Universo e manter uma identidade individual com a qual me movimento pelo mundo e manifesto progresso.
Se você perdeu a capacidade de sentir alegria, esteja certo de que o circuito ainda está aí. Ele está apenas inibido por outro circuito mais ansioso e/ou temeroso. Como eu gostaria que você pudesse se desfazer de sua bagagem emocional, como eu perdi a minha, e retornar a seu estado natural de alegria! O segredo para conectar-se a um desses estados pacíficos é a disposição para interromper as trilhas de pensamento cognitivo, a preocupação e quaisquer idéias que o distraiam da experiência sensorial e cinestésica de estar no aqui e agora. Porém, mais importante é que nosso desejo por paz seja mais forte do que nossa ligação com a infelicidade, com o ego e com a necessidade de estar certo. Adoro aquele velho ditado: “Você quer ter razão, ou quer ser feliz?”
Pessoalmente, gosto muito da sensação da felicidade em meu corpo e, portanto, escolho me conectar com regularidade a esse circuito. Sempre me perguntei: Se isso é uma escolha, então por que alguém escolheria outra coisa que não a felicidade? Posso apenas especular, mas suponho que muitos apenas não percebam que temos a possibilidade de escolher e, portanto, não exercitam essa capacidade de escolha. Antes do derrame, eu pensava ser um produto do meu cérebro e não tinha idéia de que podia opinar sobre como respondia às emoções que surgiam em mim. Em nível intelectual, percebi que podia monitorar e mudar meus pensamentos cognitivos, mas nunca imaginei que tivesse alguma influência sobre como percebia minhas emoções. Ninguém jamais me havia dito que são necessários apenas 90 segundos para a bioquímica capturar-me e, depois, me libertar. Que enorme diferença essa consciência tem feito em como conduzo minha vida.
Outra razão pela qual podemos não escolher a felicidade é que, ao sentir emoções intensas e negativas, como raiva, inveja ou frustração, estamos rodando ativamente programas complexos no cérebro que sentimos como familiares e que nos fazem sentir fortes e poderosos. Conheço pessoas que escolhem exercitar seus circuitos de raiva com regularidade apenas porque isso as ajuda a lembrar como é se sentirem elas mesmas.
Tenho a mesma facilidade para acionar o circuito da felicidade. De fato, da perspectiva biológica, a felicidade é o estado natural de ser do lado direito de minha mente. Como tal, esse circuito está sempre ativo e disponível para meu uso. Meu circuito da raiva, por outro lado, nem sempre está ativo, mas pode ser disparado quando sinto algum tipo de ameaça. Assim que a resposta fisiológica passa pela corrente sanguínea, posso retornar minha alegria.

Em última análise, tudo que experimentamos é um produto de nossas células e dos respectivos circuitos. Quando você se coloca em sintonia com como sente cada um dos diferentes circuitos em seu corpo, pode escolher como quer ser no mundo. Pessoalmente, tenho uma espécie de alergia às sensações de medo e/ou ansiedade. Quando essas emoções me inundam, sinto tamanho desconforto que gostaria de poder abandonar meu corpo. Por no gostar da sensação fisiológica gerada por essas emoções, tenho a tendência de evitar conectar-me a esses circuitos com regularidade.
Minha definição favorita de medo é “expectativas falsas que parecem reais”, e, quando me permito lembrar que todos os meus pensamentos são apenas fugaz fisiologia, sou menos afetada quando meu contador de histórias fica desordenado e meu circuito é desencadeado. Ao mesmo tempo, quando lembro que estou unificada com o Universo, o conceito de medo perde seu poder. Para me proteger de uma resposta de raiva ou medo, assumo a responsabilidade por quais circuitos exercito e estimulo. Numa tentativa de reduzir o poder de minha resposta de medo/raiva, escolho intencionalmente a não assistir a filmes de terror ou me envolver com pessoas cujos circuitos de raiva sejam desencadeados com facilidade. Faço escolhas que causam impacto direto nos meus circuitos. Como gosto de ser alegre, prefiro me relacionar com pessoas que valorizem minha alegria.

Como mencionei antes, a dor física é um fenômeno fisiológico especificamente projetado para alertar o cérebro para a ocorrência de dano a algum tecido do corpo. É importante perceber que somos capazes de sentir dor física sem nos conectarmos ao circuito emocional do sofrimento. Lembro como as crianças pequenas são corajosas quando estão gravemente enfermas. Os pais podem percorrer a trilha emocional do medo e do sofrimento, enquanto a criança parece se adaptar à doença sem o mesmo drama emocional negativo. Experimentar a dor pode não ser uma escolha, mas sofrer é uma decisão cognitiva. Quando uma criança adoece, é sempre mais difícil para ela lidar com o sofrimento dos pais do que suportar a enfermidade. ... 

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Jill Bolte Taylor
“A cientista que curou seu próprio cérebro” – o relato da neurocientista que viu a morte de perto, reprogramou sua mente e ensina o que você também pode fazer.
São Paulo – Ediouro – 2008
Págs. 169-187





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domingo, 18 de novembro de 2012

ASSUMA O COMANDO - Jill Bolte Taylor (neurociências)


ASSUMA O COMANDO


(Neurociências) 

Jill, Bolte Taylor, 

Defino responsabilidade (resposta-habilidade) como a capacidade de escolher como vamos responder ao estímulo que chega pelo sistema sensorial em dado momento no tempo. Embora existam certos programas do sistema límbico (emocional) que podem ser acionados de maneira automática, são necessários menos que 90 segundos para um desses programas ser acionado, percorrer nosso corpo, e depois ser completamente banido da corrente sanguínea. Minha resposta de raiva, por exemplo, é uma resposta programada que pode ser disparada automaticamente. Uma vez desencadeada, a química liberada por meu cérebro percorre meu corpo e tenho a experiência fisiológica. Noventa segundos depois do disparo inicial, o componente químico da raiva dissipou-se completamente do meu sangue e minha resposta automática está encerrada. Se, porém, me mantenho zangada depois desses 90 segundos, é porque escolhi [decidi] manter o circuito rodando. Momento a momento, faço a escolha de me ligar ao neurocircuito ou recuar para o momento presente, permitindo que aquela reação desapareça de minha fisiologia.
A novidade realmente excitante sobre reconhecer meus personagens do lado direito e do lado esquerdo é que tenho sempre uma forma alternativa de olhar para qualquer situação. Meu corpo está cheio ou meio vazio? Se você me aborda com raiva e frustração, faço a escolha de refletir sua raiva e me envolver na discussão (cérebro esquerdo) ou ser empática e responder com um coração compreensivo (cérebro direito). O que muitos não percebem é que estamos fazendo escolhas inconscientes sobre como respondemos o tempo todo. É tão fácil se deixar prender pelos fios da nossa reatividade pré-programada (sistema límbico) que vivemos navegando no piloto automático. Aprendi que, quanto mais atenção minhas células corticais superiores dão ao que está acontecendo no interior do meu sistema límbico, mais eu posso decidir sobre o que estou pensando e sentindo. Prestando atenção às escolhas que meu circuito automático está fazendo, apodero-me da minha força e faço escolhas de maneira consciente. No final assumo a responsabilidade pelo que atraio para minha vida.
Hoje em dia, passo muito tempo pensando sobre pensar, simplesmente porque considero meu cérebro fascinante. Como disse Sócrates: “Uma vida sem reflexão não merece ser vivida”. Não há nada mais fortalecedor do que perceber que não preciso pensar em coisas que me causam dor. É claro que não há nada de errado em pensar sobre essas coisas, desde que eu tenha consciência de que estou escolhendo me envolver nesse circuito emocional. Ao mesmo tempo, é libertador saber que tenho o poder consciente de parar de ter esses pensamentos quando estou saciada deles. É libertador saber que tenho a habilidade de escolher uma mente pacifica e amorosa (a do lado direito), sejam quais forem minhas circunstâncias físicas ou mentais, decidindo dar um passo à direita e trazer meus pensamentos de volta ao momento presente.
É mais comum que eu escolha observar o ambiente com olhos que não julgam, os do lado direito da mente, que me permitir conservar minha alegria interior e permanecer distante daquele circuito emocional carregado. Só eu decido se alguma coisa vai ter uma influência positiva ou negativa sobre minha psique. Recentemente estava dirigindo pela estrada e cantando em voz alta, acompanhando meu CD favorito de Ginger Curry, entoando “ALEGRIIIIIA em meu coração”. Para meu espanto fui parada por excesso de velocidade (aparentemente, havia excesso de entusiasmo ao volante). Desde que fui multada, tive de repetir pelo menos cem vezes a decisão de não ficar triste com isso. Aquela voz da negatividade estava sempre tentando se erguer e me deprimir. Eu queria rever o drama muitas vezes, repeti-lo sem parar em minha cabeça, de todos os ângulos, mas, independentemente de minha contemplação, a situação teria sempre o mesmo desfecho. Com honestidade, considero essa obsessão do lado esquerdo de minha mente contadora de histórias uma perda de tempo e um dreno emocional. Graças a meu derrame, aprendi que tenho o controle e paro de pensar sobre os eventos passados, realimentando-me conscientemente com o presente.
Apesar de tudo isso, há algumas ocasiões em que escolho me colocar no mundo como um ego central sólido, único, separado de você. Às vezes é só uma grande satisfação contrapor minhas coisas do hemisfério esquerdo às suas coisas do hemisfério esquerdo, seja em conversa ou debate acalorado. Normalmente, não gosto de sentir a agressividade no interior do meu corpo, por isso evito o confronto hostil e escolho a compaixão.
Para mim, é realmente fácil ser bondosa com os outros quando me lembro de que nenhum de nós veio ao mundo com um manual sobre como fazer tudo corretamente. Somos, em última análise, um produto de nossa biologia e do meio ambiente. Em decorrência, escolho ter compaixão com os outros quando considero quanta bagagem emocional dolorosa somos biogicamente programados para carregar por aí. Reconheço que erros serão cometidos, mas isso não significa que preciso me tornar vítima ou considerar ações e erros de forma pessoal. Suas coisas são suas coisas, e minhas coisas são minhas coisas. Sentir profunda paz interior e partilhar bondade é sempre uma escolha para cada um de nós. Perdoar os outros e eu mesma é sempre uma escolha. Ver esse momento como um momento perfeito é sempre uma escolha.


Jill Bolte Taylor
“A cientista que curou seu próprio cérebro” – o relato da neurocientista que viu a morte de perto, reprogramou sua mente e ensina o que você também pode fazer.
São Paulo – Ediouro - 2008
Págs. 153-156