quarta-feira, 26 de março de 2014

Derivados do leite e câncer de mama - Raphaël Nogier

“DERIVADOS DO LEITE E CÂNCER DE MAMA”

2. O RASTREAMENTO DAS DOENÇAS

Dr. Raphaël Nogier,

Diante da explosão das doenças e do aumento dos prejuízos que a sociedade causou, o médico vai tratar de aproximar determinados fatos, a fim de deduzir que uma patologia precisa pode ser provocada por uma perturbação específica.
   Esse tipo de estudo, extremamente complexo, apela para muitas disciplinas, médicas e não-médicas. Trata-se aí, de um verdadeiro quebra-cabeças chinês que às vezes revela um exercício de malabarista e se complica pelo fato de que determinadas perturbações não provocam doenças, a não ser muitos anos depois.
   Frente ao aumento das doenças, a pesquisa científica deve efetuar proezas encontrando por eliminação as causas. Estabelecer essas correspondências necessita às vezes da colaboração de serviços internacionais. É nesse exato momento da pesquisa que a epidemiologia entra em jogo.

1) EPIDEMIOLOGIA

   “Esse ramo da ciência médica se ocupa do estudo dos fatores, individuais ou outros, que influenciam de alguma maneira a saúde humana” (definição da Organização Mundial da Saúde).
   Existindo há cerca de uma centena de anos, no início ela se ocupava no estudo das epidemias. Pouco a pouco ela se interessou pelo aparecimento, difusão, e repartição das doenças no tempo e no espaço. Hoje, o epidemiologista busca sobretudo saber como “vive” uma doença. Para chegar a esse resultado ele necessita de cifras e estatísticas.
   Cada país tem um senso aproximado do número de falecimento e sua causa, do número de doenças e sua natureza. Assim, na França, se conhece o número de infartos, de suicídios, de AIDS, por ano e sobretudo sua repartição por região, idade e sexo.
   Todos os dados estatísticos são transmitidos pelos diversos ministérios da Saúde, à OMS, que conta com cerca de 160 países membros. Seus serviços, baseados principalmente em Genebra, constatam a incidência de cada enfermidade em tal ou tal país. De fato, uma determinada, difere no Marrocos, no Canadá ou no México.
   Esta contabilidade, bastante instrutiva, permite aos pesquisadores orientar nas investigações em função das estatísticas e por esse meio emitir hipóteses acerca da origem das doenças. O trabalho dos epidemiologistas consistirá em explicar essas diferenças em função do modo de vida, do clima dos países em questão etc.
   A epidemiologia é um ramo da medicina cada vez mais elaborado, que, sem dúvida, irá permitir que se elucide um determinado número de problemas causados pela civilização.

2) OS LIMITES DA EPIDEMIOLOGIA

   Apesar de que determinadas doenças tenham se desenvolvido mais em determinados países do que em outros, o epidemiologista não acha sempre a origem desse fenômeno. De fato, o número de fatores em causa, às vezes, é tão elevado que torna impossível um estudo científico dos mesmos; além do mais, o epidemiologista às vezes não está de posse de todos os dados do problema.
   Nessas condições, torna-se então necessário abordá-lo por um outro ângulo. É aqui que intervém o papel do pesquisador, do descobridor, com seu trabalho solitário, suas hipóteses, suas dúvidas, seus sucessos, seus fracassos. Uma descoberta é o fruto da observação, do acaso e sobretudo da audácia. A audácia serve para fazer recuar as barreiras intelectuais que a educação impôs. E se os edelweiss podem florir fora das veredas do grande passeio,k as mais belas descobertas são feitas com freqüência dos boulevards do pensamento científico.

3) A PARTE DO MÉDICO

   Este livro é voltado aos cânceres de mama. Não sou nem epidemiologista, nem cancerologista. Médico sem outro diploma, além do meu doutorado, clínico em Lyon. Tenho 40 anos. O caminho que percorri, no entanto, não é o de um médico comum.
   Tive uma formação literária clássica (francês, latim, grego) depois fui fazer medicina. Graças ou por causa de minha família, imbuído do ambiente médico, eu me dirigi à Faculdade de Medicina como um cão da Bretanha se atira à caça. Com naturalidade.
   Oi primeiro ano me pareceu difícil, tanto que custei a admitir o rigor da natureza. Eu me lembro de meu primeiro curso de anatomia, do bíceps. No meio de imensa algazarra, o professor explicava que o bíceps se inseria no acrômio, num local bem preciso. Eu cai das nuvens. Meu espírito sonhador nunca sequer tinha pensado que havia músculos idênticos em todas as pessoas e que eles se inserem todos da mesma maneira. Aprendi em seguida o rigor da química, da física, e olhava com mil olhos, meus colegas copiarem com zelo, fórmulas que sem dúvida não compreendiam.
   Passaram-se muitos anos de violação interior.
   Ensinavam-me a medicina, sem reflexão, sem fervor. As mais belas descobertas ocorriam num tom monocórdio.
   Não foi senão no fim de meus estudos, que pude recuar um pouco e dar livre curso a meu espírito crítico.
   A partir dos 30 anos, percorri o mundo inteiro, proferindo conferências sobre os métodos de cuidados como a acupuntura ou o laser, domínio que tinha estudado em particular.
   Essas inúmeras viagens ao Japão, à China, à Coréia, à América do Norte, do Sul, à Nova Zelândia, à Índia, a todos os países da Europa e à África, me fizeram conviver lado a lado com outras medicinas, outros médicos, outras doenças. Confrontado com outras culturas, compreendi que nossa medicina ocidental vivia voltada para si mesma. Seus métodos de cuidado não se dirigem, no momento atual, a não ser a um quarto da humanidade. Bilhões de indivíduos não conhecem nem o hospital, nem os medicamentos e se fazem cuidar por técnicas ancestrais. Sem dúvida, nosso sistema não era o melhor em todos os campos, a despeito do que se poderia crer.

   Em Lyon eu recriei esse clima de abertura e de troca em meu consultório: cada doente fica lá cerca de três quartos de hora, o que me permite aprofundar seu histórico. Como muita freqüência, assistem às minhas consultas diversos médicos estrangeiros, uns trinta por ano. Posso assim discutir à vontade cada caso e aprender permanentemente. Por outro lado, tenho a imensa sorte de colaborar com a OMS, onde sou consultor de medicinas tradicionais.
   Por que todas essas informações sobre minha trajetória?
   Simplesmente porque sem esse caminhar intelectual atípico, sem essas trocas enriquecedoras com outros países e com outros doentes, eu jamais teria tido a intuição que hoje me impulsiona a escrever esse livro.
   Uma ampla faixa de argumentos extraídos de minha prática médica, de minhas viagens e de minhas amizades, me fazem pensar que o câncer de mama se deve em grande parte a um hiperconsumo de derivados de leite: leite, queijo, iogurtes, cremes etc. Evidente! Esses derivados do leite poderiam ser uma das causas do desenvolvimento do câncer de mama.
   Com o passar dos dias e das consultas, esta intuição se confirmou, se avolumou, até se tornar uma convicção íntima.
   Quando essa constatação cheia de conseqüências se me afigurou, busquei longamente na literatura médica, os artigos e livros dedicados na esse câncer.
   Que eu saiba, ninguém jamais falou da relação derivados do leite – câncer de mama. Num primeiro momento, fiquei admirado que nenhum epidemiologista tenha observado esse fenômeno, que, no entanto, salta aos olhos e depois mudei de opinião. De fato, quem poderia pensar que esse alimento de todas as virtudes terapêuticas fosse um cancerígeno? É alguma coisa como se alguém supor que o Dalai-lama pudesse estar à frente de uma organização terrorista!
   Esta descoberta, que eu sei desde já, irá chocar e irá fazer correr muita tinta, me faz insistir uma vez mais sobre o papel essencial do médico no progresso da pesquisa clínica.
   O médico tem de fato a sorte insigne de poder discutir com seu paciente, que com freqüência possui a resposta para sua doença.
   Um interrogatório profundo, minucioso e orientado pode permitir ao médico seguir um caminho rico de descobertas. Pode parecer fastidioso, mas irá sempre constituir a fonte do conhecimento médico.
   É essa soma de informações abrigadas no espírito do médico, que após muitos meses ou anos, irá conduzir à revelação, à intuição. Pois a intuição não é senão o aparecimento consciente de uma conclusão, de um raciocínio inconsciente, que repousa sobre uma soma de informações que se acredita estar esquecida.
   Os homeopatas, muitas vezes desacreditados, desprezados nos meios refinados da medicina elegante têm essa preocupação do interrogatório que esmiúça. Todos os médicos deviam tomá-los como modelo.
   Por fim, o médico clínico possui uma vantagem sobre o pesquisador que se aferrou entre o aquecedor e a escrivaninha: ele pode examinar seu doente, olhá-lo, tocá-lo, senti-lo, auscultá-lo, enfim, ele se beneficia de um contato físico insubstituível.

   É em parte à medicina francesa dos séculos XVIII e XIX que se devem as grandes descobertas médicas. Esses dois séculos produziram grandes clínicos, que às imagem de Bretonneau, passavam horas a observar, a auscultar um doente. De suas observações, surgiram descobertas fundamentais para a patologia.
   Infelizmente, em nossos dias, tem-se a tendência de achar que o exame do doente tem um menor interesse, bem como as informações que se pode obter para as explorações complementares são ricas e variadas. A biologia, a endoscopia, a radiografia, o ultra-som, dão aos médicos novas possibilidades e fazem esquecer os antigos métodos de investigação.
   No entanto, ainda hoje, o exame físico do paciente é insubstituível e pode ser fonte de novas idéias científicas.
   O abandono dessa medicina clínica foi sem dúvida uma das causas da estagnação dos progressos em cancerologia. Para estabelecer uma relação DERIVADOS DO LEITE – CÂNCER DE MAMA, é preciso de fato uma soma de argumentos que evidentemente são provenientes de estudos epidemiológicos, mas sobretudo do interrogatório e do exame preciso de doentes de diversos países.


Fonte: págs. 16-19, do livro “O LEITE QUE AMEAÇA AS MULHERES” Um documento explosivo: o consumo de derivados do leite teria uma influência preponderante sobre os cânceres de mama; Raphaël Nogier, São Paulo, Ícone Editora, 1999.



Evite alimentos industrializados!
Evite medicamentos sintéticos!
Evite medicamentos controlados!
Informe-se!!!





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