[MEDICINA
ORTOMOLECULAR]
ENZIMAS
DIGESTIVAS
ENZIMAS DIGESTIVAS
Um
dos pontos básicos para a absorção dos nutrientes contidos nos alimentos é a
digestão. O organismo só consegue absorver substâncias simples que, na maior
parte das vezes, são provenientes de elementos mais complexos submetidos à
digestão. Assim, as proteínas devem ser particionadas em aminoácidos, os lipídios devem ser quebrados em ácidos graxos, glicerol e colesterol,
enquanto o amido e os dissacarídeos devem ser levados ao estado de monosacarídeos (glicose, frutose,
galactose) para serem aproveitados como alimentos.
Os elementos capazes de promover a digestão
dos alimentos e permitir sua absorção são as enzimas digestivas. Qualquer deficiência ou distúrbio na liberação
dessas enzimas na luz do tubo digestivo pode provocar má absorção de nutrientes ou problemas
digestivos. Investigações científicas demonstram que essas disfunções de
produção e de eliminação de enzimas aparecem frequentemente em pacientes idosos
ou naqueles submetidos ao estresse. A ingestão exagerada de alimentos e o uso
de certos medicamentos também podem afetar tal função. (...)
Além das enzimas, no processo de digestão
dos alimentos estão envolvidas diversas outras substâncias, como o ácido
clorídrico, os sais biliares, a mucina e o bicarbonato de sódio, além de vários
hormônios, chamados de hormônios gastrintestinais: a gastrina, a
colecistoquinina, a enterogastrona (GIP), a secretina, o peptídeo
vasointestinal (VIP), a motilina, a bombesina, o polipeptídeo pancreático, etc.
Na verdade, atualmente o intestino vem sendo
considerado como a maior glândula do organismo, contando com inúmeros hormônios
de secreção externa e interna. Alguns desses hormônios têm ação central,
inclusive com influências sobre o comportamento. Pode-se, portanto, deduzir a
importância capital das funções digestivas para a saúde como um todo. Da
atividade normal dos órgãos digestivos dependem nossa imunidade e nosso
psiquismo. (...)
Resta-nos conhecer os diversos agentes
terapêuticos enzimáticos e não-enzimáticos utilizados pela Medicina
Ortomolecular com a finalidade de promover a digestão.
1. Betaína-HCL
Trata-se
do CLORIDRATO DE BETAÍNA utilizado para aumentar os níveis de ácido clorídrico
no estômago. A insuficiência de HCL, conhecida como hipocloridria, é bastante comum nos pacientes idosos e relaciona-se
com má digestão, meteorismo e desconforto abdominal com estase digestiva. Os
indivíduos com hipocloridria têm menos capacidade de digerir proteínas e
dissolver o bolo alimentar para que tenha contato com as outras secreções
digestivas. Pode haver má absorção de ferro e de cálcio. Mais recentemente, tem-se
relacionado o déficit gástrico de ácido clorídrico com as chamadas alergias
(intolerâncias) alimentares; 200 ou 300 mg de betaína-HCL após as refeições
auxiliam na digestão desses pacientes carentes em HCL.
2. Enzimas proteolíticas
As
mais usadas são a PAPAÍNA e a BROMELINA, ambas de origem vegetal. A primeira é
proveniente do mamão, enquanto a segunda é oriunda do abacaxi;
A papaína
tem apenas ação digestiva sobre as proteínas,
e deve ser usada em doses de 150 a 400 mg após as refeições.
A bromelina
tem ação mais ampla e uso geralmente ligado a reações inflamatórias. Trata-se,
na verdade, de um excelente e potente agente
antiinflamatório com propriedades benéficas sobre o aparelho
cardiovascular. Reduz a agregação e a adesividade plaquetária, e pode diminuir
sintomas de angina pectoris. Seu emprego nas dores articulares e
pós-traumáticas requer doses de 300 a 1.000 mg ao dia.
3. Amilase
Promove
a digestão de carboidratos complexos, e deve ser ministrada em doses de 200 mg
após as refeições.
4. Lipase vegetal
Trata-se
de uma enzima digestiva extraída de cultura de um fungo do gênero aspergyllus
com ação sobre lipídios. As doses variam entre 200 e 400 mg após as refeições.
5. Protease vegetal
Igualmente
extraída de cultura de aspergyllus, encontra aplicação
restrita na clínica. Sua dose padrão é de 200 mg após as refeições.
6. Lactase
A
deficiência dessa enzima é bastante comum na vida adulta e impossibilita a
digestão de lactose. Alguns autores consideram tal. deficiência como normal, e
a produção da enzima, própria da infância, ficaria prolongada em indivíduos que
tomassem leite e derivados ao longo da vida. de fato, o que se observa é que o
déficit de lactase impede a digestão normal de laticínios, tão comum nos
hábitos alimentares ocidentais, produzindo diarréia, meteorismo e desconforto
abdominal após a ingesta de leite e alguns de seus derivados menos processados.
A solução é a tomada concomitante de 100 a 500 mg de lactase, dependendo da
quantidade de leite ingerida.
7. Pancreatina
Trata-se
de um complexo enzimático composto por proteases, polipeptidases, lípase e
alfa-amilase, extraído de pâncreas de animais. Pelo seu amplo espectro
digestivo, atua na maioria dos alimentos tanto de origem protéica, como de
origem lipídica ou glicídica. Sua dose habitual varia de 200 a 500 mg após as
refeições.
8. Pepsina
Essa
enzima natural do estômago age sobre as proteínas. Pode estar deficiente nos
pacientes com hipocloridria, uma vez que o ácido clorídrico é fundamental à
transformação do pepsinogênio em pepsina.
As
doses devem variar entre 20 e 200 mg após as refeições.
Fonte:
págs. 293-298, “Medicina ortomolecular: um guia completo sobre os nutrientes e
suas propriedades terapêuticas / Paulo Roberto Carlos de Carvalhho – 2ª ed. –
Rio de Janeiro: Record: Nova Era, 2002.
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