MUDANÇAS DE PARADIGMA:
A Conspiração Aquariana
MUDANÇAS DE PARADIGMAS
PESSOAIS:
VENDO AS FIGURAS OCUTAS
Na maneira como é vivida pelo indivíduo, a mudança de
paradigma pode ser comparada às descobertas de “figuras ocultas” nas revistas
infantis. Olha-se para um desenho que parece representar uma árvore e um regato.
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Alguém, então, pede para que ele os olhe mais
atentamente, procurando alguma coisa que não se tem motivos para acreditar que
lá esteja. De repente, começa-se a perceber objetos camuflados na cena: os
ramos das árvores se transformam em peixes ou em uma pá, as linhas em torno do
regato escondem uma escova de dentes.
Ninguém pode
obrigar uma pessoa a ver os objetos escondidos. Ninguém é persuadido de que os objetos estão ali. Ou você consegue vê-los ou
não. Mas, depois de descobri-los, ali estão claramente sempre que se olha para
o desenho. Chega-se a ficar admirado de como não tinha sido vistos antes.
Ao crescer,
sofremos algumas mudanças de paradigmas de menor vulto: a compreensão de
princípios da geometria, por exemplo, ou de um jogo, ou uma repentina ampliação
de nossas convicções religiosas u políticas. Cada percepção ampliou o contexto,
produziu uma nova forma de perceber ligações.
O surgimento
de um novo paradigma é ao mesmo tempo humilhante e estimulante; não estávamos
errados, e sim sendo parciais, como se estivéssemos vendo apenas com um olho.
Não se trata de mais conhecimento, mas de um novo conhecer.
Edward
Carpenter, cientista social e poeta notavelmente visionário do final do século
XIX, descreveu uma modificação desse tipo:
Quando se inibe o pensamento
(e se insiste), acaba-se por chegar a uma região da consciência abaixo ou além
dele... e à percepção de um eu muito mais amplo do que aquele a que estamos
acostumados. E como a consciência comum, com a qual lidamos na vida diária,
está antes de mais nada baseada no pequeno ou local... segue-se que passar além
desses limites é morrer para o eu habitual e para o mundo comum.
É morrer no senso comum, enquanto que em
outro sentido é despertar e verificar eu o verdadeiro eu de uma pessoa, o seu
eu mais íntimo, impregna o universo e todos os outros seres.
Tão grande, tão formidável é a experiência,
que pode ser dito que todas as questões e todas as dúvidas menores desaparecem
ante ela; e é certo que, em milhares e milhares de casos, o fato de a ela ter
sido submetido faz com que um indivíduo tenha revolucionado sua vida
subseqüente e sua visão do mundo.
Carpenter
captou a essência da experiência transformadora: ampliação, conexão, o poder de
transformar uma vida de modo permanente. E, como disse ele, essa “região da
consciência” se abre para nós quando estamos silenciosamente vigilantes, mais
do que quando pensamos e planejamos de modo ativo.
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Não só de
forma acidental como deliberada, pessoas têm essas experiências ao longo da
história. Profundas mudanças interiores podem ocorrer em resposta a uma
meditação disciplinada durante uma grave enfermidade, deslocamentos por regiões
ermas, no auge de emoções, em esforços criativos, exercícios espirituais,
respiração sob controle, técnicas para “inibição do pensamento”, ingestão de
psicodélicos, movimentos, isolamento, música, hipnose, sonhos, e na esteira de
uma intensa luta intelectual.
Através dos
séculos, em diferentes partes do mundo, as tecnologias de indução a tais
experiências foram compartilhadas apenas por uns poucos iniciados de cada
geração. Fraternidades dispersas, ordens religiosas e pequenos grupos
exploraram o que parecia ser os limites extraordinários de experiências
conscientes. Em suas doutrinas esotéricas, às vezes se referiram às qualidades
de liberação de suas percepções. Mas seu número era muito pequeno, e não tinham
como difundir amplamente suas descobertas, além de a maior parte dos habitantes
da Terra estar preocupada com a sobrevivência, e não com a transcendência.
De repente, nesta década, esses sistemas
aparentemente simples e a literatura sobre o tema, as riquezas de inúmeras
culturas, tornaram-se acessíveis a populações inteiras, não só nas formas
originais como nas adaptações contemporâneas. Prateleiras de livrarias e de
bancas de jornal oferecem a sabedoria dos tempos em brochuras. Cursos de
extensão universitária e seminários de fins de semana, cursos de educação de adultos e centros
comerciais oferecem técnicas que auxiliam as pessoas a se ligarem a novas
fontes de energia pessoal, integração e harmonia.
Esses
sistemas se destinam a harmonizar mente e corpo, a ampliar a sensibilidade do
cérebro, a produzir nos participantes um novo despertar do vasto potencial
inexplorado. Quando funcionam, é como adicionar Pa mente sonar, radar e
poderosas lentes.
A ampla
adaptação de tais técnicas e a difusão de seu uso na sociedade foram previstas
na década de 50 por P. W. Martin, quando a pesquisa da “consciência” começou a
ser realizada. “Pela primeira vez na história, o espírito de investigação
científica está se voltando para o lado oposto da consciência. Há agora uma
expectativa favorável de que as descobertas sejam mantidas dessa vez a se
tornarem não mais um segredo perdido, mas a herança viva do homem.
Como veremos
no Capítulo 2, a idéia de uma rápida transformação da espécie humana, começando
com uma vanguarda, tem sido articulada por alguns dos mais talentosos
pensadores, artistas e visionários da história.
Todos os
sistemas para ampliação e aprofundamento da consciência empregam estratégias
similares e levam a descobertas pessoais surpreendentes similares. Agora
também, pela primeira vez, sabemos que essas experiências subjetivas têm sua
contrapartida objetiva. Investigações em laboratório, como veremos, mostram que
esses métodos integram a atividade do cérebro, tornando-o menos divagante,
incitando-o a uma organização mais elaborada. O cérebro passa por uma transformação literal bastante acelerada.
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As
tecnologias transformadoras nos oferecem caminhos para a criatividade, cura,
opções. O dom da percepção – de produzir novas conexões imaginativas –, eu já
foi atributo de uns poucos afortunados, aí está à disposição de quem se
dispuser a insistir, a experimentar, a explorar.
Na maior
parte dos casos, a percepção têm sido acidental. Esperamos por ela do mesmo
modo que o homem primitivo esperava por um raio para produzir fogo. No entanto,
o estabelecimento de conexões mentais é o nosso mais importante instrumento
para conhecer, essência da inteligência humana: forjar elos; penetrar além do
fato; discernir padrões, relações, contextos.
A conseqüência
natural dessas sutis ciências da mente é a percepção. O processo pode ser
rápido a ponto de nos sentiremos um tanto surpresos, até mesmo um pouco
assustados, ante o surgimento de novas possibilidades. Cada uma delas nos leva
a compreender melhor e a prever com mais precisão o que dará certo em nossas
vidas.
Não é de
admirar que tais mudanças da percepção sejam experimentadas como reveladoras,
liberadoras, unificadoras – transformadoras. Tendo em vista a recompensa, faz
sentido que milhões se tenham voltado para essas práticas nos últimos anos. Essas
pessoas descobrem que não lhes é necessário esperar que o mundo “que aí está”
mude. Suas vidas e seus ambientes começam a se transformar á medida que suas
mentes se transformam. Elas verificam que dispõem de um centro saudável e
sensato, o tesouro para lidar com as tensões e inovar, e que há amigos por toda
parte.
Essas pessoas
lutam por transmitir o que lhes aconteceu. Não dispõem de um racional bem
organizado e poderão sentir um pouco tolas ou pretenciosas em falar sobre suas
experiências. Procuram descrever uma sensação de despertar depois de anos de sono,
a reunião de fragmentos de si mesmas, uma cura, um encontrar-se.
Para muitas,
a reação dos amigos e parentes é dolorosamente condescendente, não diferente
dos adultos que aconselham um adolescente a não ser demasiado ingênuo ou
idealista. Explicar a si mesmo é realmente difícil.
(...)
MARILYN
FERGUSON é editora do Brain/Mind Bulletin, o periódico mais lido nas áreas de
medicina humanística, saúde, psiquiatria, psicologia, memória, aprendizado,
criatividade, pesquisa do cérebro, regeneração biológica, dor, processos
físicos da consciência, sonhos, meditação e assuntos correlatos.
No
início da década de 1970, Marilyn escreveu The
Brain Revolution, que abrangia informações surpreendentes sobre a
capacidade do cérebro e da mente. “A Conspiração Aquariana”, publicado
originalmente em 1980, tornou-se um Best seller em todo o mundo e ficou
conhecido como A Bíblia da Nova Era. “
Este livro não é só seu”, afirmou um colega escritor depois de ler as provas, “mas de todos nós”. Talvez seja esta a razão que levou “A Conspiração” a ser mais um fenômeno que um livro.
Este livro não é só seu”, afirmou um colega escritor depois de ler as provas, “mas de todos nós”. Talvez seja esta a razão que levou “A Conspiração” a ser mais um fenômeno que um livro.
“Fui
mais uma parteira que uma autora.”
Fonte: págs. 29-32, do livro “A Conspiração Aquariana”
Transformações humanas e sociais no final do século XX / Marilyn Ferguson;
tradução de Carlos Evaristo M. costa; prefácio de Max lerner – 14ª edição – Rio
de Janeiro: Nova Era, 2006.
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