quinta-feira, 13 de outubro de 2011


ENTREVISTA

Lançada a terceira edição da Farmacopéia Homeopática Brasileira

Leandro Rocha


A Farmacopéia Homeopática Brasileira (FHB) define o padrão de qualidade que deve apresentar os medicamentos homeopáticos disponibilizados à população, seja preparado por uma indústria ou por uma farmácia. “Por isso ela é muito importante, não apenas para orientar as farmácias magistrais e indústrias, mas também para os profissionais que prescrevem os medicamentos homeopáticos, para os órgãos fiscalizadores e ainda para todos os atores envolvidos no ensino da homeopatia”, explica o Prof. Dr. Leandro Rocha, um dos responsáveis pela 3ª edição da FHB. Nesta entrevista ele fala sobre a importância da FHB e conta como foi a produção desta nova edição. Confira!

Ecomedicina: Fale um pouco sobre Farmacopéia Homeopática Brasileira. Qual a importância dela para profissionais e usuários de Homeopatia?

Leandro Rocha: Quando Hahnemann desenvolveu a homeopatia, ele tinha uma enorme preocupação com a forma como era preparado o medicamento. Afinal, de nada adianta o médico ser competente e desenvolver um trabalho eficiente na observação dos sintomas do paciente, se a preparação do medicamento não seguir o mesmo rigor. A Farmacopéia Homeopática Brasileira define o padrão de qualidade que deve apresentar os medicamentos homeopáticos disponibilizados à população brasileira, seja preparado por uma indústria ou por uma farmácua magistral. Ela descreve os métodos para a reparação de tinturas-mãe, matrizes e a forma farmacêutica que a população tem acesso. Por isso ela é muito importante, não apenas para orientar as farmácias magistrais e indústrias, mas também para os profissionais que prescrevem os medicamentos homeopáticos, para os órgãos fiscalizadores e ainda para todos os atores envolvidos no ensino da homeopatia. A Farmacopéia Homeopática vem contribuir para que cada brasileiro que necessitar de um medicamento homeopático em qualquer lugar do país possa ter acesso a um medicamento com qualidade e preparado sempre da mesma maneira, garantindo assim a sua eficácia e segurança.

Ecomedicina: Fale sobre a 3ª edição da Farmacopéia Homeopática
Brasileira. O que você destaca nesta edição em relação às anteriores?

Leandro Rocha: A nova edição traz um número maior de monografias, onde encontramos a descrição da preparação dos medicamentos homeopáticos e dos métodos de controle de qualidade. Alguns temas como a impregnação de glóbulos, uso de tinturas-mãe para a preparação de formas externas, tamanho dos tabletes, excipientes para a preparação de comprimidos, entre outros, foram revistos de forma a otimizar o uso da homeopatia no Brasil. A estrutura da edição atual conta com 14 capítulos, 82 monografias e 9 anexos.

Ecomedicina: Como foi a sua elaboração e produção?

Leandro Rocha: Quando fui nomeada para assumir a coordenação da preparação dessa nova edição, tive a oportunidade de escolher os diversos membros do Comitê de Homeopatia da Farmacopéia Brasileira. Para essa tarefa foram chamados representantes de todos os setores que atuam em homeopatia no Brasil. Por isso contamos com a participação efetiva de representantes do Ministério da Saúde, da ANVISA, das farmácias magistrais, de indústrias e de representantes das universidades brasileiras. O resultado não poderia ser melhor. A equipe trabalhou de forma respeitosa e harmoniosa, o que foi imprescindível para o resultado alcançado. Tomo a liberdade de nomear todos os membros desse Comitê e agradecer publicamente pela dedicação e responsabilidade que apresentaram. São eles:

Bianca Oliveira – AD HOC (UFCE)
Carla Holandino – UFRJ (RJ)
Diana Sales – UNIVIX (ES)
Ezequiel Viriato – FOC (SP)
Francisco Freitas – UNIRIO (médico - RJ)
Marcelo Camilo – ANVISA (DF)
Ricardo Chiappa – M.S. (DF)
Rinaldo Ferreira – UNIVALI (SC)

Ecomedicina: Qual a influência da Farmacopéia Homeopática Brasileira para a ampliação do acesso aos medicamentos e assistência pública?

Leandro Rocha: Desde a década de 80, com o então Ministro da Saúde Waldir Pires, a homeopatia tem sido lembrada como terapia importante para o atendimento da população nos Postos de Saúde. Com o lançamento do Programa Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em 2006, a homeopatia entrou definitivamente como ordem do dia para a sua entrada no Sistema Único de Saúde. A publicação da Portaria GM/MS no. 3237 de 2007, que aprova o financiamento da assistência farmacêutica na atenção básica em saúde, inclui pela primeira vez os medicamentos homeopáticos como itens financiáveis pelo SUS, conforme Farmacopéia Homeopática Brasileira. Só esse fato ilustra bem a importância da Farmacopéia para a assistência pública. Claro que precisamos mobilizar a população para que possa fazer valer esse direito, previsto na lei. Por isso é importante o excelente trabalho que vem sendo realizado pelo ECOMEDICINA.





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