segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A ALEGRIA EQUILIBRA A PRESSÃO


A ALEGRIA EQUILIBRA A PRESSÃO

Estar feliz e encarar as dificuldades diárias de maneira positiva diminui o estresse e ajuda a afastar a hipertensão

Por Anna Melo,

ASSIM COMO BUSCAR A FELICIDADE, A PRÁTICA DE EXERCÍCIOS FÍSICOS MODERADOS, COMO CORRIDA, TAMBÉM ESTIMULA O ORGANISMO A CONTROLAR A PRESSÃO ARTERIAL E A FREQÜÊNCIA CARDÍACA

Quando o assunto é hipertensão (doença que não provoca sintomas e é caracterizada pelo aumento da pressão arterial), a maioria dos casos é associada a herança genética, má alimentação (abuso de sal e gordura), consumo excessivo de álcool, fumo e peso extra.

Mas há outros fatores ligados ao estilo de vida que podem alterar o fluxo do sangue nas veias e o ritmo cardíaco. Alguns especialistas admitem, por exemplo, que uma dose generosa de alegria é capaz de melhorar a circulação sangüínea, fazer as energias fluírem, proporcionar bem-estar e contribuir com uma pressão normal.
"Sem dúvida alguma, a felicidade é um estado de espírito que permite que o indivíduo esteja mais alerta de si mesmo, não se apegue a hábitos prejudiciais, não tenha medo das mudanças e tenha a vitalidade à flor da pele", afirma Maria Angela Soci, presidente da Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan (SBTCC).

A relação entre emoção e pressão arterial foi notada recentemente até pelos economistas Andrew Oswald, da Universidade de Warwick, na Grã- Bretanha, e David Blanchflower, do Dartmouth College, nos Estados Unidos. Após avaliarem 15 mil pessoas de 16 países europeus, os pesquisadores observaram que nas nações onde os cidadãos se diziam mais felizes (nesta ordem, Suécia, Dinamarca, Grã-Bretanha, Holanda e Irlanda) os índices de hipertensão eram mais baixos.

De bem com a vida

Para os médicos, pessoas bem-humoradas e felizes têm menos chances de adoecer. "Elas vivem mais e mesmo quando estão doentes se recuperam mais rápido", afirma o médico Bráulio Luna Filho, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). A nutricionista Priscila Rosa Belpiede, do Movere Núcleo de Atividades Esportivas (organização não-governamental dedicada à prevenção da obesidade em crianças e adolescentes carentes), também concorda: "quem está de bem com a vida tem menos chances de desenvolver qualquer tipo de distúrbio e doença, não só a hipertensão, como gastrite, hipercolesterolemia (excesso de colesterol) e até câncer".

O cardiologista e nutrólogo Daniel Magnoni, do Hospital do Coração (HCor), de São Paulo, acredita que as pessoas otimistas são menos estressadas e agem de maneira equilibrada frente às pressões profissionais, desilusões e perdas. "A pressão alta está relacionada a uma série de fatores hormonais, que são alterados quando há variações de ordem emocional", ressalta Paulo Olzon Monteiro da Silva, chefe da Disciplina de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A tensão diária libera, por exemplo, catecolaminas em excesso na corrente sangüínea. Estes hormônios provocam o fechamento de algumas artérias, favorecendo a hipertensão. O estresse também pode elevar a pressão arterial em pacientes saudáveis e dificultar o controle em pacientes já medicados. Por isso, Paulo Olzon acredita que o controle da pressão arterial, portanto, não está definitivamente nos remédios, mas dentro das próprias pessoas.

"Sem dúvida, o estilo de vida acende a carga genética passada aos filhos de hipertensos, por isso é importante que se busque hábitos mais saudáveis", recomenda o cardiologista Antonio Carlos Ruffolo, especialista em Cardiologia pela Faculdade de Medicina da USP (Incor).

Mas os especialistas estão recomendando métodos de tratamento complementares às tradicionais dicas e orientações médicas de prevenção e controle da hipertensão. Confira, a seguir, alguns deles:

Controlando as emoções

Quando os problemas emocionais estiverem influenciando a pressão arterial, busque o auxílio de um psicólogo. "A terapia cognitivo-comportamental, em especial, ajuda a lidar com o estresse e situações difíceis do dia-a-dia que podem fazer a pressão subir", garante a psicóloga clínica Daniela Levy, de São Paulo.

Com a terapia, a pessoa se torna mais direta e objetiva, aprende a respeitar os próprios limites, a dedicarse a si mesmo e, portanto, a valorizar momentos de lazer. "Ela ficará menos exigente com ela mesma, mais assertiva e aprenderá a não viver de acordo com a expectativa dos outros - que são traços muito comuns nos hipertensos", completa a psicóloga Silvia Cury Ismael, do HCor.


10 PASSOS PARA COMBATER A HIPERTENSÃO, SEM REMÉDIOS

1  Aprenda a lidar com questões emocionais, como a ansiedade e o estresse.

2  Reflita sobre seu modo de vida e procure avaliar seus hábitos de alimentação, horas de trabalho, de sono, lazer e principalmente encontre atividades que lhe ofereçam prazer, dentro do trabalho e com a família.

3  Aprenda a "respirar fundo" sempre que se sentir pressionado ou tenso. Quando estiver a ponto de explodir, pare por alguns instantes e respire. O fisiologista Gilson Tanaka, do HCor, ensina: inspire e expire de forma lenta, profunda, expandindo e esvaziando completamente os pulmões, utilizando, para isso, o abdômen e o diafragma (principal músculo envolvido no ato de respirar e que separa o tórax da cavidade abdominal).

4  Na hora do aperto, quando a pressão subir mesmo, sente-se calmamente e faça massagens nos pés, para que a energia e a circulação desçam para esta região, diminuindo a pressão no coração.

5  Opte por atividades físicas que lhe dêem alegria e prazer. Diga adeus à preguiça e ao mau humor.

6  Diga adeus à preguiça e ao mau humor.

7  Se alguém o estiver pressionando além da conta, seja claro! Diga para que se acalme. Esta atitude também vai ajudar a outra pessoa, se for predisposta à pressão alta, a não se tornar um hipertenso.

8  Seja menos exigente consigo mesmo e não tente mudar o comportamento só para agradar os outros.

9  Questione suas prioridades na vida e faça escolhas que protejam sua saúde física e mental.

10  Tenha hábitos de vida saudáveis, controle o peso e não fume.

Além da dieta sem sal

O cardiologista Antonio Carlos Ru f - folo, do Incor, recomenda que, além de reduzir a quantidade de sal e gordura no cardápio, o hipertenso ou com predisposição ao problema invista em uma alimentação saudável (que inclua ingredientes como alho, cebola, aipo, peixes) e procure emagrecer, se necessário. "A cada cinco quilos a mais, a pressão pode subir um ponto", completa o médico Bráulio Luna Filho do SBC.


[Nota: não utilize sal refinado (contém somente cloreto de sódio).  O melhor é consumir sal marinho iodado (ou sal grosso), o qual contém todas os minerais necessários à boa saúde.]


Esta orientação sobre a ingestão de alho, particularmente, é comprovada por estudos científicos.

"O alho é rico em compostos sulfurados capazes de diminuir o estresse e, conseqüentemente, a pressão arterial", revela a especialista em nutrição funcional Ana Beatriz Baptistella Leme da Fonseca, da VP Consultoria Nutricional. Mas anote a dica: o importante é que se acrescente o alho somente no final das preparações, já que o aquecimento excessivo reduz seus efeitos benéficos.

Exercícios específicos

O fisiologista Gilson Tanaka Shinzato, responsável pela avaliação fisiátrica no Clinic Check-up e pelo Programa de Reabilitação Cardíaca, Pulmonar e Metabólica do Hospital do Coração (HCor), indica técnicas de alongamento associadas a exercícios respiratórios, para diminuir a fre qüê n cia cardíaca e a pressão arterial. "Antes de praticar qualquer exercício, porém, é importante fazer uma avaliação médica, que inclua teste de esforço e ecocardiograma", orienta. Ele também recomenda esportes de menor impacto, como natação, ciclismo e corrida, durante 20 a 60 minutos e de três a cinco vezes por semana. Maria Angela Soci, presidente da Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan (SBTCC), indica ainda caminhadas e técnicas orientais como o Chi Kung e o Tai Chi Chuan. Estas atividades ensinam a controlar melhor as emoções, a ter equilíbrio energético e a ganhar consciência corporal.

Mas anote as atividades proibidas aos hipertensos: exercícios de grande impacto, como musculação com cargas máximas, algumas lutas, bem como provas de velocidade e de potência muscular máxima.



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