segunda-feira, 26 de setembro de 2011


O ÍNDICE DE CÂNCER GÁSTRICO NO JAPÃO
É DEZ VEZES SUPERIOR AO DOS ESTADOS UNIDOS

DR. HIROMI SHINYA
Chefe da unidade de endoscopia do Beth Israel Medical Center
Professor de cirurgia no Albert Einstein College of Medicine


Por causa da ênfase cultural e histórica dos Estados Unidos na ingestão de carne, as características intestinais dos norte-americanos, em geral, permanecem piores que as dos japoneses. No entanto, o estômago de muitos japoneses é, na verdade, bem pior do que o dos norte-americanos. Em exames do estômago de norte-americanos e japoneses, constatei que o povo japonês tem uma probabilidade vinte vezes maior de contrair gastrite atrófica, doença em que a mucosa gástrica torna-se fina. Além disso, como a gastrite, atrófica aumenta a chance de câncer gástrico, o índice dessa doença é dez vezes mais elevado no Japão do que nos Estados Unidos.
   Tanto nos Estados Unidos como no Japão, a obesidade é um grande problema atualmente. Entretanto, não há tantos japoneses obesos como sua contraparte de norte-americanos. O fato é que os japoneses não conseguem ficar obesos como os norte-americanos. Pode-se observar isso nos lutadores de sumô, que precisam ganhar peso. Não há nenhum lutador de sumô japonês com um corpo como o de Konishiki (um lutador havaiano que pesava mais de 272 kg e que chegou à posição de ozeki, segundo posto mais importante do sumô japonês).
   Os japoneses não conseguem ficar obesos como os norte-americanos, pois, antes de atingirem esse ponto, eles têm problemas gástricos que os impedem de comer mais. Em outras palavras, os norte-americanos conseguem engordar mais do que os japoneses porque têm um sistema digestório mais resistente.

   Ao examinar estômagos com o endoscópio, encontrei diferenças consideráveis entre japoneses e norte-americanos em relação aos sintomas. Quando examino japoneses, mesmo que seus problemas não sejam tão graves, eles reclamam de dores de estômago e de grande desconforto e azia. O interessante é que os norte-americanos, ainda que tenham a mucosa do estômago ou do esôfago bastante inflamada, raramente se queixam de azia e de outros problemas como os japoneses.
   Um dos motivos dessa diferença é a quantidade de vitamina A encontrada na alimentação norte-americana. A vitamina A protege não só a mucosa gástrica como também todas as outras mucosas, como as dos olhos e da traquéia. O óleo de cozinha tem alto teor de vitamina A. Seria possível argumentar que a alimentação no Japão está mais ocidentalizada, mas os norte-americanos consomem muito mais óleo, manteiga e ovos do que os japoneses. Se pensarmos na saúde do corpo como um todo, esses alimentos não nos fazem bem. Mas se levarmos em conta somente a proteção das mucosas, eles têm alguns efeitos positivos.
   Outra possível explicação para o fato de o sistema gastrintestinal dos norte-americanos ser mais forte é o número de enzimas digestivas de seu organismo. As enzimas digestivas decompõem o alimento e ajudam o corpo a absorver os nutrientes. O número dessas enzimas determina a digestão e a absorção do alimento. A digestão e a absorção avançam passo a passo à medida que as várias enzimas são liberadas em cada estágio da digestão. O primeiro desses estágios é a saliva, os outros são o estômago, o duodeno, o pâncreas e o intestino delgado. Nessas circunstâncias, se cada órgão secretar enzimas digestivas em quantidade suficiente, a digestão e a absorção serão um processo fácil. No entanto, a excreção insuficiente causará indigestão, além de sobrecarregar muito os outros órgãos.

   A razão para a tendência de muitos japoneses terem sintomas, como dor ou desconforto gástrico, ainda que seu estômago não esteja em condições tão ruins, é que eles originalmente tem um número menor de enzimas digestivas do que os norte-americanos.
   Além disso, os japoneses tendem a tomar medicamentos para o estômago assim que os sintomas pioram, enquanto muitos norte-americanos, não. O que os norte-americanos tomam de fato são suplementos enzimáticos. Mas, no Japão, esses suplementos só são vendidos com receita médica e prescritos apenas quando o médico julga necessignificativa em seu estômago.

 sários. Nos Estados Unidos, os suplementos de enzimas digestivas são extremamente populares e podem ser comprados facilmente em lojas de produtos naturais e nos supermercados.

   O fato é que tomar medicamentos para inibir a secreção de ácido gástrico acelera ainda mais a deterioração do revestimento do estômago. Antiácidos e medicamentos para o estômago extremamente populares, como a combinação de bloqueadores dos receptores H2 e inibidores da bomba de prótons, são anunciados como altamente eficazes na supressão da secreção de ácido gástrico. Entretanto, se esse ácido for reduzido com medicamentos, a mucosa gástrica atrofiará e a conseqüência será a que já mencionei anteriormente, ou seja, a atrofia da mucosa gástrica aumentará e poderá levar ao desenvolvimento de câncer de estômago.
   Se você tem dor ou desconforto estomacal, deve consultar um médico e relatar exatamente suas condições físicas, para que ele possa prescrever os suplementos de enzima adequados aos seus sintomas. Ou então compra-los em uma loja de produtos naturais, lendo cuidadosamente os rótulos. A ingestão de suplementos de enzima digestiva produzirá uma melhora 



Fonte: págs 31 a 33, do livro "A Dieta do Futuro", Dr. Hiromi Shinya, São Paulo, Editora Cultrix, 2010.



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